{"id":10083,"date":"2025-11-03T10:13:29","date_gmt":"2025-11-03T10:13:29","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/ver-o-copo-meio-cheio-pode-proteger-contra-o-cancro\/"},"modified":"2025-11-03T10:29:27","modified_gmt":"2025-11-03T10:29:27","slug":"ver-o-copo-meio-cheio-pode-proteger-contra-o-cancro","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/ver-o-copo-meio-cheio-pode-proteger-contra-o-cancro\/","title":{"rendered":"Ver o copo meio-cheio pode proteger contra o cancro"},"content":{"rendered":"\n<p>As pessoas, tal como os animais, podem encarar uma situa\u00e7\u00e3o ou acontecimento de uma forma otimista ou pessimista. Se h\u00e1 50% de probabilidade de chuva, um otimista confia na sorte e arranca de bicicleta para o trabalho, enquanto um pessimista pega no carro e equipa-se com guarda-chuva e imperme\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O que um estudo coordenado pelo Group Leader do GIMM, Rui Oliveira, feito em peixes zebra, veio agora demonstrar \u00e9 que este tra\u00e7o de personalidade pode ter implica\u00e7\u00f5es bastante mais s\u00e9rias do que apanhar uma molha ou gastar gasolina sem necessidade. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41398-025-03311-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Publicado<\/a> na revista <em>Translational Psychiatry<\/em>, do grupo Nature, mostrou-se que este vi\u00e9s cognitivo \u2013 a tend\u00eancia de interpretar situa\u00e7\u00f5es amb\u00edguas de forma otimista ou pessimista \u2013 , \u00e9 consistente ao longo do tempo no peixe-zebra (zebrafish) e tem impacto direto na resposta ao stress. E, como consequ\u00eancia, na progress\u00e3o do cancro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEste estudo veio mostrar como a varia\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos na susceptibilidade a doen\u00e7as, como pode ser ilustrado com a progress\u00e3o de cancro (melanoma), pode ser explicada por vieses cognitivos que levam indiv\u00edduos pessimistas a percepcionar est\u00edmulos amb\u00edguos como falsos sinais de alarme, sobre ativando a sua resposta ao stress com consequ\u00eancias delet\u00e9rias para o organismo\u201d, explica Rui Oliveira. <\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira parte do trabalho, os investigadores classificaram os animais de acordo com os perfis comportamentais. E perceberam que, ao contr\u00e1rio dos pessimistas, os otimistas apresentavam menor reatividade ao stress, regula\u00e7\u00e3o mais equilibrada do eixo neuroend\u00f3crino (HPI) e maior resili\u00eancia fisiol\u00f3gica. E a uma resposta ao stress mais exacerbada corresponde maior probabilidade de desenvolver doen\u00e7as como o cancro. <\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando um modelo de melanoma em peixe-zebra, os autores observaram que os peixes pessimistas desenvolvem tumores mais cedo e que estes progridem mais rapidamente. Por outro lado, os peixes otimistas mostraram resist\u00eancia \u00e0 progress\u00e3o tumoral \u2014 evidenciando que o tra\u00e7o psicol\u00f3gico (otimismo\/pessimismo) influencia diretamente a sa\u00fade f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar a esta conclus\u00e3o, juvenis transg\u00e9nicos (modificados para o aparecimento de melanoma) foram classificados como otimistas ou pessimistas antes do aparecimento do tumor. Metade de cada grupo foi exposta a stress cr\u00f3nico; a outra metade permaneceu em condi\u00e7\u00f5es de controlo, com a progress\u00e3o tumoral monitorizada semanalmente. Resultado: Mesmo sem stress, os pessimistas desenvolveram tumores mais cedo e em maior percentagem. <\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o stress cr\u00f3nico acelerou a progress\u00e3o do cancro nos otimistas, mas n\u00e3o alterou significativamente nos pessimistas, que j\u00e1 tinham alta incid\u00eancia. Al\u00e9m disso, marcadores de prolifera\u00e7\u00e3o celular mostraram maior atividade tumoral nos pessimistas desde o in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante todos estes dados, deduz-se que o otimismo \u00e9 uma esp\u00e9cie de armadura que oferece resili\u00eancia fisiol\u00f3gica e prote\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as relacionadas com o stress.<\/p>\n\n\n\n<p>E no seu caso, v\u00ea o copo meio cheio ou meio-vazio?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/GlassHalfFull_edited-002.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10081\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/GlassHalfFull_edited-002.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/GlassHalfFull_edited-002-300x200.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/GlassHalfFull_edited-002-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Unsplash\/patpitchaya<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"featured_media":10088,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","news_category":[39],"news_tag":[],"publications":[],"publication_date":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news\/10083"}],"collection":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10083"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"news_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_category?post=10083"},{"taxonomy":"news_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_tag?post=10083"},{"taxonomy":"publications","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publications?post=10083"},{"taxonomy":"publication_date","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publication_date?post=10083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}