{"id":11426,"date":"2026-04-17T11:44:51","date_gmt":"2026-04-17T11:44:51","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/science-rounds-novas-terapias-celulares-procuram-restaurar-o-equilibrio-do-sistema-imunitario-em-doentes-com-cancro-e-apos-transplante\/"},"modified":"2026-04-17T11:53:05","modified_gmt":"2026-04-17T11:53:05","slug":"science-rounds-novas-terapias-celulares-procuram-restaurar-o-equilibrio-do-sistema-imunitario-em-doentes-com-cancro-e-apos-transplante","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/science-rounds-novas-terapias-celulares-procuram-restaurar-o-equilibrio-do-sistema-imunitario-em-doentes-com-cancro-e-apos-transplante\/","title":{"rendered":"Science Rounds: novas terapias celulares procuram restaurar o equil\u00edbrio do sistema imunit\u00e1rio em doentes com cancro e ap\u00f3s transplante"},"content":{"rendered":"\n<p>A vida \u00e9 um equil\u00edbrio constante entre custos e benef\u00edcios &#8211; e poucos sistemas ilustram isso t\u00e3o bem como o sistema imunit\u00e1rio. Uma ideia que esteve bem presente na sess\u00e3o das Science Rounds, realizada a 14 de abril, onde duas palestras exploraram como o sistema imunit\u00e1rio pode ser simultaneamente um aliado vital e uma fonte de complica\u00e7\u00f5es graves &#8211; e como h\u00e1 novas terapias que procuram precisamente restaurar esse equil\u00edbrio.<\/p>\n\n<p>Em \u201cRegulatory T cells in Hematopoietic Stem Cell Transplantation\u201d, Jo\u00e3o Lacerda, hematologista na ULS Santa Maria e l\u00edder de grupo no GIMM, centrou-se na doen\u00e7a cr\u00f3nica do enxerto contra o hospedeiro (cGVHD, na sigla em ingl\u00eas), uma das complica\u00e7\u00f5es mais desafiantes ap\u00f3s o transplante de medula \u00f3ssea. Afetando at\u00e9 50% dos doentes, a cGVHD surge quando as c\u00e9lulas imunit\u00e1rias do dador atacam os tecidos do pr\u00f3prio paciente, o que acaba por ser um paradoxo de um tratamento concebido para curar.<\/p>\n\n<p>\u201cTem de existir um equil\u00edbrio\u201d, explicou Lacerda, referindo-se \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre respostas imunit\u00e1rias ben\u00e9ficas, que previnem a reca\u00edda do cancro, e rea\u00e7\u00f5es prejudiciais, que alimentam a doen\u00e7a cr\u00f3nica.<\/p>\n\n<p>No centro deste desequil\u00edbrio est\u00e3o as c\u00e9lulas T reguladoras (Tregs), c\u00e9lulas imunit\u00e1rias raras, respons\u00e1veis por manter as respostas imunes sob controlo. A equipa de Lacerda mostrou que os doentes que desenvolvem cGVHD apresentam, precocemente, defeitos neste compartimento, muito antes do aparecimento dos sintomas cl\u00ednicos. \u201cCome\u00e7amos a observar estas altera\u00e7\u00f5es antes do desenvolvimento da doen\u00e7a\u201d, sublinhou, apontando para a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de Tregs, menor capacidade proliferativa e um desequil\u00edbrio face \u00e0s c\u00e9lulas T convencionais.<\/p>\n\n<p>Estas observa\u00e7\u00f5es levaram ao desenvolvimento de uma estrat\u00e9gia terap\u00eautica: restaurar o equil\u00edbrio imunit\u00e1rio atrav\u00e9s da reinfus\u00e3o de Tregs. Em ensaios cl\u00ednicos de fase I, realizados em Portugal e Espanha, doentes com cGVHD grave e resistente ao tratamento receberam c\u00e9lulas T reguladoras recolhidas dos seus dadores originais, mesmo anos ap\u00f3s o transplante.<\/p>\n\n<p>Os resultados foram promissores. \u201cParece ser seguro\u201d, afirmou Lacerda, sem sinais de toxicidade significativa. Do ponto de vista cl\u00ednico, a maioria dos doentes apresentou melhorias: \u201cDoze em dezenove doentes em Portugal e dez em doze em Sevilha responderam\u201d, disse. Relevante tamb\u00e9m: estas respostas permitiram reduzir a necessidade de terapias imunossupressoras. \u201cConseguimos diminuir as doses de esteroides e, em muitos casos, suspender outros tratamentos.\u201d<\/p>\n\n<p>Para al\u00e9m dos resultados cl\u00ednicos, a equipa demonstrou que as c\u00e9lulas infundidas conseguem persistir no organismo at\u00e9 um ano. \u201cConseguimos detetar os clon\u00f3tipos infundidos at\u00e9 um ano ap\u00f3s a infus\u00e3o\u201d, acrescentou. No futuro, a investiga\u00e7\u00e3o aponta para abordagens mais direcionadas, incluindo o desenvolvimento de Tregs espec\u00edficas para antig\u00e9nios, com maior capacidade supressora.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"11416\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/JoaoLacerdaSlide-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11416\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/JoaoLacerdaSlide-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/JoaoLacerdaSlide-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/JoaoLacerdaSlide-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/JoaoLacerdaSlide-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/JoaoLacerdaSlide-1-2048x1153.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"11417\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/BrunoSlide-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11417\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/BrunoSlide-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/BrunoSlide-300x169.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/BrunoSlide-768x432.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/BrunoSlide-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/BrunoSlide-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n<p>Se a apresenta\u00e7\u00e3o de Lacerda se centrou em travar uma resposta imunit\u00e1ria excessiva, Bruno Silva-Santos, em \u201cDeveloping a novel adopted cell immunotherapy for acute myeloid leukemia\u201d, abordou o desafio oposto: como refor\u00e7ar o sistema imunit\u00e1rio contra um dos cancros hematol\u00f3gicos mais letais.<\/p>\n\n<p>A quimioterapia continua a ser o tratamento de primeira linha para a leucemia mieloide aguda (AML), mas as suas limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o claras. \u201cEmbora seja muito eficaz inicialmente, cerca de 75% dos doentes acabam por recair\u201d, afirmou Silva-Santos, sublinhando a necessidade urgente de alternativas para o que descreveu como \u201co mais agressivo dos cancros do sangue\u201d.<\/p>\n\n<p>Na sua apresenta\u00e7\u00e3o, Silva-Santos destacou uma nova estrat\u00e9gia de imunoterapia centrada num tipo menos convencional de c\u00e9lulas imunit\u00e1rias: as c\u00e9lulas T gama-delta (\u03b3\u03b4). Ao contr\u00e1rio das c\u00e9lulas T alfa-beta, mais conhecidas, estas n\u00e3o dependem do reconhecimento de MHC (fator de histocompatibilidade) &#8211; uma caracter\u00edstica que permite a sua utiliza\u00e7\u00e3o entre diferentes dadores e recetores sem desencadear doen\u00e7a do enxerto contra o hospedeiro. \u201cEssas c\u00e9lulas basicamente n\u00e3o querem saber do MHC expresso pelas c\u00e9lulas do hospedeiro\u201d, explicou, sublinhando o seu potencial para terapias \u201coff-the-shelf\u201d mais seguras.<\/p>\n\n<p>Dentro desta popula\u00e7\u00e3o, a equipa focou-se num subtipo raro, as c\u00e9lulas DeltaOne, que, apesar de representarem apenas 0,3% das c\u00e9lulas imunit\u00e1rias circulantes, demonstraram uma capacidade superior para eliminar c\u00e9lulas leuc\u00e9micas. \u201cDelta-1 ganhou\u201d, recordou, referindo-se aos primeiros resultados que levaram o laborat\u00f3rio a apostar nesta abordagem.<\/p>\n\n<p>O desafio, no entanto, estava na escala. Para transformar estas c\u00e9lulas raras numa terapia vi\u00e1vel, a equipa desenvolveu um protocolo complexo capaz de expandir a sua quantidade mais de 2.000 vezes. \u201cConseguimos finalmente atingir n\u00fameros compat\u00edveis com uma terapia celular\u201d, explicou.<\/p>\n\n<p>O produto celular resultante, enriquecido em c\u00e9lulas DeltaOne, mostrou resultados not\u00e1veis em modelos pr\u00e9-cl\u00ednicos. Em amostras de AML derivadas de doentes, at\u00e9 80% das c\u00e9lulas tumorais foram eliminadas em poucas horas, com elimina\u00e7\u00e3o completa durante a noite. Al\u00e9m disso, o efeito revelou-se altamente seletivo. \u201cN\u00e3o observ\u00e1mos destrui\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas saud\u00e1veis em nenhum dos testes realizados\u201d, afirmou.<\/p>\n\n<p>Estes resultados levaram ao primeiro ensaio cl\u00ednico em humanos, que confirmou a seguran\u00e7a da abordagem, mas tamb\u00e9m evidenciou a necessidade de maior efic\u00e1cia. Esse foi o foco da segunda parte da apresenta\u00e7\u00e3o: a engenharia destas c\u00e9lulas com um recetor quim\u00e9rico de antig\u00e9nio (CAR), uma estrat\u00e9gia j\u00e1 utilizada nas terapias CAR-T. Em modelos animais, as c\u00e9lulas CAR-\u03b3\u03b4 n\u00e3o s\u00f3 controlaram melhor o crescimento tumoral, como impediram a sua dissemina\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o apresentam c\u00e9lulas tumorais circulantes\u201d, destacou Silva-Santos, descrevendo como os animais tratados n\u00e3o mostraram sinais de metastiza\u00e7\u00e3o. Em muitos casos, uma \u00fanica administra\u00e7\u00e3o foi suficiente para manter o controlo a longo prazo &#8211; resultados que dever\u00e3o ser publicados em breve.<\/p>\n\n<p>Agora, com o envolvimento de parceiros industriais e o avan\u00e7o do desenvolvimento, Silva-Santos v\u00ea nesta abordagem um caminho promissor para doentes com op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas limitadas. \u201cEsperamos levar esta investiga\u00e7\u00e3o translacional aos doentes com AML\u201d, afirmou. No seu conjunto, as duas apresenta\u00e7\u00f5es evidenciaram extremos opostos do mesmo espectro: quando travar o sistema imunit\u00e1rio e quando potenci\u00e1-lo. Ambas as abordagens, baseadas em imunoterapia celular, apontam para um futuro em que o controlo preciso das respostas imunes poder\u00e1 transformar os resultados cl\u00ednicos.<\/p>\n\n<p>A vida \u00e9 um equil\u00edbrio constante entre custos e benef\u00edcios &#8211; e poucos sistemas ilustram isso t\u00e3o bem como o sistema imunit\u00e1rio. Uma ideia que esteve bem presente na sess\u00e3o das Science Rounds, realizada a 14 de abril, onde duas palestras exploraram como o sistema imunit\u00e1rio pode ser simultaneamente um aliado vital e uma fonte de complica\u00e7\u00f5es graves &#8211; e como h\u00e1 novas terapias que procuram precisamente restaurar esse equil\u00edbrio.<\/p>\n\n<p>Em \u201cRegulatory T cells in Hematopoietic Stem Cell Transplantation\u201d, Jo\u00e3o Lacerda, hematologista na ULS Santa Maria e l\u00edder de grupo no GIMM, centrou-se na doen\u00e7a cr\u00f3nica do enxerto contra o hospedeiro (cGVHD, na sigla em ingl\u00eas), uma das complica\u00e7\u00f5es mais desafiantes ap\u00f3s o transplante de medula \u00f3ssea. Afetando at\u00e9 50% dos doentes, a cGVHD surge quando as c\u00e9lulas imunit\u00e1rias do dador atacam os tecidos do pr\u00f3prio paciente, o que acaba por ser um paradoxo de um tratamento concebido para curar.<\/p>\n\n<p>\u201cTem de existir um equil\u00edbrio\u201d, explicou Lacerda, referindo-se \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre respostas imunit\u00e1rias ben\u00e9ficas, que previnem a reca\u00edda do cancro, e rea\u00e7\u00f5es prejudiciais, que alimentam a doen\u00e7a cr\u00f3nica.<\/p>\n\n<p>No centro deste desequil\u00edbrio est\u00e3o as c\u00e9lulas T reguladoras (Tregs), c\u00e9lulas imunit\u00e1rias raras, respons\u00e1veis por manter as respostas imunes sob controlo. A equipa de Lacerda mostrou que os doentes que desenvolvem cGVHD apresentam, precocemente, defeitos neste compartimento, muito antes do aparecimento dos sintomas cl\u00ednicos. \u201cCome\u00e7amos a observar estas altera\u00e7\u00f5es antes do desenvolvimento da doen\u00e7a\u201d, sublinhou, apontando para a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de Tregs, menor capacidade proliferativa e um desequil\u00edbrio face \u00e0s c\u00e9lulas T convencionais.<\/p>\n\n<p>Estas observa\u00e7\u00f5es levaram ao desenvolvimento de uma estrat\u00e9gia terap\u00eautica: restaurar o equil\u00edbrio imunit\u00e1rio atrav\u00e9s da reinfus\u00e3o de Tregs. Em ensaios cl\u00ednicos de fase I, realizados em Portugal e Espanha, doentes com cGVHD grave e resistente ao tratamento receberam c\u00e9lulas T reguladoras recolhidas dos seus dadores originais, mesmo anos ap\u00f3s o transplante.<\/p>\n\n<p>Os resultados foram promissores. \u201cParece ser seguro\u201d, afirmou Lacerda, sem sinais de toxicidade significativa. Do ponto de vista cl\u00ednico, a maioria dos doentes apresentou melhorias: \u201cDoze em dezenove doentes em Portugal e dez em doze em Sevilha responderam\u201d, disse. Relevante tamb\u00e9m: estas respostas permitiram reduzir a necessidade de terapias imunossupressoras. \u201cConseguimos diminuir as doses de esteroides e, em muitos casos, suspender outros tratamentos.\u201d<\/p>\n\n<p>Para al\u00e9m dos resultados cl\u00ednicos, a equipa demonstrou que as c\u00e9lulas infundidas conseguem persistir no organismo at\u00e9 um ano. \u201cConseguimos detetar os clon\u00f3tipos infundidos at\u00e9 um ano ap\u00f3s a infus\u00e3o\u201d, acrescentou. No futuro, a investiga\u00e7\u00e3o aponta para abordagens mais direcionadas, incluindo o desenvolvimento de Tregs espec\u00edficas para antig\u00e9nios, com maior capacidade supressora.<\/p>\n\n<p>Se a apresenta\u00e7\u00e3o de Lacerda se centrou em travar uma resposta imunit\u00e1ria excessiva, Bruno Silva-Santos, em \u201cDeveloping a novel adopted cell immunotherapy for acute myeloid leukemia\u201d, abordou o desafio oposto: como refor\u00e7ar o sistema imunit\u00e1rio contra um dos cancros hematol\u00f3gicos mais letais.<\/p>\n\n<p>A quimioterapia continua a ser o tratamento de primeira linha para a leucemia mieloide aguda (AML), mas as suas limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o claras. \u201cEmbora seja muito eficaz inicialmente, cerca de 75% dos doentes acabam por recair\u201d, afirmou Silva-Santos, sublinhando a necessidade urgente de alternativas para o que descreveu como \u201co mais agressivo dos cancros do sangue\u201d.<\/p>\n\n<p>Na sua apresenta\u00e7\u00e3o, Silva-Santos destacou uma nova estrat\u00e9gia de imunoterapia centrada num tipo menos convencional de c\u00e9lulas imunit\u00e1rias: as c\u00e9lulas T gama-delta (\u03b3\u03b4). Ao contr\u00e1rio das c\u00e9lulas T alfa-beta, mais conhecidas, estas n\u00e3o dependem do reconhecimento de MHC (fator de histocompatibilidade) &#8211; uma caracter\u00edstica que permite a sua utiliza\u00e7\u00e3o entre diferentes dadores e recetores sem desencadear doen\u00e7a do enxerto contra o hospedeiro. \u201cEssas c\u00e9lulas basicamente n\u00e3o querem saber do MHC expresso pelas c\u00e9lulas do hospedeiro\u201d, explicou, sublinhando o seu potencial para terapias \u201coff-the-shelf\u201d mais seguras.<\/p>\n\n<p>Dentro desta popula\u00e7\u00e3o, a equipa focou-se num subtipo raro, as c\u00e9lulas DeltaOne, que, apesar de representarem apenas 0,3% das c\u00e9lulas imunit\u00e1rias circulantes, demonstraram uma capacidade superior para eliminar c\u00e9lulas leuc\u00e9micas. \u201cDelta-1 ganhou\u201d, recordou, referindo-se aos primeiros resultados que levaram o laborat\u00f3rio a apostar nesta abordagem.<\/p>\n\n<p>O desafio, no entanto, estava na escala. Para transformar estas c\u00e9lulas raras numa terapia vi\u00e1vel, a equipa desenvolveu um protocolo complexo capaz de expandir a sua quantidade mais de 2.000 vezes. \u201cConseguimos finalmente atingir n\u00fameros compat\u00edveis com uma terapia celular\u201d, explicou.<\/p>\n\n<p>O produto celular resultante, enriquecido em c\u00e9lulas DeltaOne, mostrou resultados not\u00e1veis em modelos pr\u00e9-cl\u00ednicos. Em amostras de AML derivadas de doentes, at\u00e9 80% das c\u00e9lulas tumorais foram eliminadas em poucas horas, com elimina\u00e7\u00e3o completa durante a noite. Al\u00e9m disso, o efeito revelou-se altamente seletivo. \u201cN\u00e3o observ\u00e1mos destrui\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas saud\u00e1veis em nenhum dos testes realizados\u201d, afirmou.<\/p>\n\n<p>Estes resultados levaram ao primeiro ensaio cl\u00ednico em humanos, que confirmou a seguran\u00e7a da abordagem, mas tamb\u00e9m evidenciou a necessidade de maior efic\u00e1cia. Esse foi o foco da segunda parte da apresenta\u00e7\u00e3o: a engenharia destas c\u00e9lulas com um recetor quim\u00e9rico de antig\u00e9nio (CAR), uma estrat\u00e9gia j\u00e1 utilizada nas terapias CAR-T. Em modelos animais, as c\u00e9lulas CAR-\u03b3\u03b4 n\u00e3o s\u00f3 controlaram melhor o crescimento tumoral, como impediram a sua dissemina\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o apresentam c\u00e9lulas tumorais circulantes\u201d, destacou Silva-Santos, descrevendo como os animais tratados n\u00e3o mostraram sinais de metastiza\u00e7\u00e3o. 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Ambas as abordagens, baseadas em imunoterapia celular, apontam para um futuro em que o controlo preciso das respostas imunes poder\u00e1 transformar os resultados cl\u00ednicos.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"11420\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dialogo-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11420\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dialogo-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dialogo-300x169.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dialogo-768x432.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dialogo-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dialogo-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"11422\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FotoGrupo-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11422\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FotoGrupo-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FotoGrupo-300x169.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FotoGrupo-768x432.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FotoGrupo-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/FotoGrupo-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n","protected":false},"featured_media":11425,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","news_category":[29],"news_tag":[],"publications":[],"publication_date":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news\/11426"}],"collection":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11426"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11425"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"news_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_category?post=11426"},{"taxonomy":"news_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_tag?post=11426"},{"taxonomy":"publications","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publications?post=11426"},{"taxonomy":"publication_date","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publication_date?post=11426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}