{"id":11643,"date":"2026-05-20T10:32:04","date_gmt":"2026-05-20T10:32:04","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/science-rounds-diagnostico-de-doencas-pulmonares-nociceptores-e-cancro\/"},"modified":"2026-05-20T13:50:33","modified_gmt":"2026-05-20T13:50:33","slug":"science-rounds-diagnostico-de-doencas-pulmonares-nociceptores-e-cancro","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/science-rounds-diagnostico-de-doencas-pulmonares-nociceptores-e-cancro\/","title":{"rendered":"Science Rounds: diagn\u00f3stico de doen\u00e7as pulmonares, nociceptores e cancro"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 12 de maio tivemos uma sess\u00e3o dedicada \u00e0s doen\u00e7as pulmonares intersticiais, com Jo\u00e3o Eus\u00e9bio, MD, do Servi\u00e7o de Pneumologia da ULSSM, e outra dedicada aos nicicenptores e a sua rela\u00e7\u00e3o com a imunidade tumoral, pelo Group Leader do GIMM, Pavel Han\u010d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biomarcadores broncoalveolares e o futuro do diagn\u00f3stico das doen\u00e7as pulmonares intersticiais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Poucas coisas s\u00e3o t\u00e3o assustadoras como n\u00e3o conseguir respirar. As doen\u00e7as pulmonares intersticiais (ILD) afetam o espa\u00e7o microsc\u00f3pico entre o epit\u00e9lio alveolar e os vasos sangu\u00edneos (o chamado interst\u00edcio), comprometendo a capacidade dos pulm\u00f5es de trocar oxig\u00e9nio. Mais de 200 doen\u00e7as fazem parte do grupo das ILDs, um conjunto complexo e frequentemente dif\u00edcil de diagnosticar de patologias que afetam a arquitetura interna do pulm\u00e3o. Na palestra \u201cEvaluation of endoscopic and bronchoalveolar biomarkers in interstitial lung diseases\u201d, Jo\u00e3o Eus\u00e9bio, MD (Servi\u00e7o de Pneumologia, ULSSM), explorou de que forma a broncoscopia e a lavagem broncoalveolar (BAL) ajudam os m\u00e9dicos a compreender melhor estas doen\u00e7as e, potencialmente, a desenvolver tratamentos mais precisos e personalizados.<\/p>\n\n\n\n<p>No centro da palestra esteve esta quest\u00e3o: como podem os m\u00e9dicos obter sinais biol\u00f3gicos mais claros diretamente dos pulm\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Eus\u00e9bio come\u00e7ou por explicar que o termo \u201cintersticial\u201d pode ser enganador. \u201cEstas doen\u00e7as n\u00e3o afetam apenas o interst\u00edcio em si, mas tamb\u00e9m os compartimentos epitelial e endotelial do pulm\u00e3o\u201d, referiu, sublinhando a complexidade de patologias que v\u00e3o desde doen\u00e7as inflamat\u00f3rias at\u00e9 fibrose progressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos grandes avan\u00e7os na imagiologia e anatomia patol\u00f3gica, diagnosticar ILDs continua a ser um desafio. Diferentes doen\u00e7as partilham frequentemente sintomas, padr\u00f5es em TAC e at\u00e9 caracter\u00edsticas histopatol\u00f3gicas, fazendo com que cerca de um quarto dos doentes continue sem um diagn\u00f3stico definitivo. \u201cDoen\u00e7as diferentes partilham caracter\u00edsticas cl\u00ednicas, por isso precisamos de biomarcadores que permitam distingui-las\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aqui que a broncoscopia, e em particular a lavagem broncoalveolar (BAL), se torna especialmente valiosa. A BAL \u00e9 um procedimento minimamente invasivo no qual uma solu\u00e7\u00e3o salina \u00e9 introduzida numa regi\u00e3o espec\u00edfica do pulm\u00e3o e posteriormente recolhida para an\u00e1lise, permitindo aos cl\u00ednicos estudar diretamente o microambiente imunit\u00e1rio e fibr\u00f3tico local.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 muito seguro, repet\u00edvel e reflete o microambiente imunit\u00e1rio alveolar\u201d, afirmou o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a pr\u00e1tica cl\u00ednica atual se foque sobretudo na an\u00e1lise da composi\u00e7\u00e3o celular das amostras de BAL, Jo\u00e3o Eus\u00e9bio destacou que poder\u00e1 existir muito mais informa\u00e7\u00e3o escondida nestas amostras. Os investigadores conseguem j\u00e1 identificar padr\u00f5es imunit\u00e1rios distintos associados a diferentes doen\u00e7as. Amostras ricas em linf\u00f3citos, por exemplo, est\u00e3o frequentemente associadas a pneumonite de hipersensibilidade e sarcoidose, enquanto a predomin\u00e2ncia de neutr\u00f3filos est\u00e1 ligada a fibrose progressiva e pior progn\u00f3stico na fibrose pulmonar idiop\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto mais inflama\u00e7\u00e3o existe, mais linf\u00f3citos encontramos\u201d, explicou, acrescentando que perfis inflamat\u00f3rios podem tamb\u00e9m prever melhores respostas a terapias imunossupressoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Os macr\u00f3fagos surgiram, entretanto, como elementos centrais na progress\u00e3o da fibrose. Macr\u00f3fagos ativados promovem deposi\u00e7\u00e3o de matriz extracelular e ativa\u00e7\u00e3o de fibroblastos, contribuindo para o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o que danifica progressivamente a fun\u00e7\u00e3o pulmonar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da an\u00e1lise celular, o campo est\u00e1 rapidamente a expandir-se para biomarcadores moleculares e tecnologias \u201c\u00f3micas\u201d. Investigadores estudam citocinas, quimiocinas, ves\u00edculas extracelulares, transcript\u00f3mica e prote\u00f3mica extra\u00eddas de amostras BAL, procurando assinaturas capazes de melhorar o diagn\u00f3stico, prever a progress\u00e3o da doen\u00e7a ou orientar a sele\u00e7\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 muitos novos biomarcadores que podemos analisar\u201d, afirmou. \u201cTodos mostram alguma coisa, mas ainda n\u00e3o conseguimos utiliz\u00e1-los clinicamente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos maiores desafios continua a ser a padroniza\u00e7\u00e3o. A variabilidade nas t\u00e9cnicas de recolha, m\u00e9todos de ensaio e limiares de valida\u00e7\u00e3o continua a limitar a transla\u00e7\u00e3o de muitos biomarcadores promissores para a pr\u00e1tica cl\u00ednica. A integra\u00e7\u00e3o de imagiologia, celularidade BAL, biomarcadores moleculares e dados gen\u00f3micos em modelos multimodais baseados em intelig\u00eancia artificial poder\u00e1 transformar a forma como as ILDs s\u00e3o classificadas e tratadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos a passar de entidades cl\u00ednicas para classifica\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas e fisiopatol\u00f3gicas\u201d, afirmou Eus\u00e9bio, destacando as oportunidades de investiga\u00e7\u00e3o emergentes nesta \u00e1rea. Com acesso a grandes volumes cl\u00ednicos, experi\u00eancia em broncoscopia e a possibilidade de criar biobancos de BAL, o departamento espera estimular mais investiga\u00e7\u00e3o translacional capaz de aproximar descobertas laboratoriais da pr\u00e1tica cl\u00ednica. Assim, embora as doen\u00e7as pulmonares intersticiais sejam altamente heterog\u00e9neas, muitas acabam por convergir para fibrose. Em geral, estas doen\u00e7as evoluem de um estado inflamat\u00f3rio inicial para uma fase fibr\u00f3tica marcada por cicatriza\u00e7\u00e3o progressiva e frequentemente irrevers\u00edvel do tecido pulmonar. Identificar a doen\u00e7a enquanto a inflama\u00e7\u00e3o ainda predomina \u00e9, por isso, cr\u00edtico, j\u00e1 que nesta fase os doentes podem ainda beneficiar de tratamentos capazes de controlar, ou at\u00e9 corrigir, o processo patol\u00f3gico. Uma vez estabelecida a fibrose, por\u00e9m, as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas tornam-se muito mais limitadas. Compreender e prever essa transi\u00e7\u00e3o poder\u00e1 depender de olhar mais atentamente para o interior do pulm\u00e3o. Encontrar biomarcadores capazes de identificar quais os doentes &#8211; e quando &#8211; passam de um estado inflamat\u00f3rio para um estado fibr\u00f3tico poder\u00e1 alterar significativamente o desfecho cl\u00ednico destes pacientes. Compreender e prever essa transi\u00e7\u00e3o poder\u00e1 depender de olhar mais atentamente para o interior do pulm\u00e3o. Encontrar biomarcadores capazes de identificar quais os doentes &#8211; e quando &#8211; passam de um estado inflamat\u00f3rio para um estado fibr\u00f3tico poder\u00e1 alterar significativamente o desfecho cl\u00ednico destes pacientes.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"579\" data-id=\"11632\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/5-1-1024x579.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11632\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/5-1-1024x579.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/5-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/5-1-768x434.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/5-1-1536x868.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/5-1.jpg 1662w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"572\" data-id=\"11633\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3-1024x572.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11633\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3-1024x572.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3-300x168.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3-768x429.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3-1536x858.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/3.jpg 1672w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Explorar o di\u00e1logo escondido entre nociceptores e cancro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A dor \u00e9 h\u00e1 muito entendida como um dos sinais definidores da inflama\u00e7\u00e3o. Mas e se os neur\u00f3nios respons\u00e1veis por detetar dor n\u00e3o forem apenas mensageiros passivos que alertam o organismo para o perigo? E se estiverem ativamente a moldar respostas imunit\u00e1rias e at\u00e9 a ajudar tumores a escapar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi a quest\u00e3o central explorada na palestra de Pavel Han\u010d, \u201c<em>Nociceptors drive immunosuppressive monocyte differentiation to prevent tumor immunity<\/em>\u201d, dedicada \u00e0s intera\u00e7\u00f5es neuro-imunit\u00e1rias na biologia do cancro, onde foram apresentadas evid\u00eancias emergentes de que os nociceptores &#8211; neur\u00f3nios especializados na dete\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos nocivos &#8211; podem desempenhar um papel ativo na progress\u00e3o tumoral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGosto de come\u00e7ar as minhas palestras lembrando que s\u00f3 porque conhecemos algo h\u00e1 muito tempo n\u00e3o significa que a hist\u00f3ria acabe a\u00ed\u201d, afirmou Pavel.<\/p>\n\n\n\n<p>Os nociceptores, derivados do latim <em>nocere<\/em> (\u201ccausar dano\u201d), s\u00e3o mais conhecidos por transmitir sinais de dor dos tecidos para a medula espinhal e o c\u00e9rebro. Mas para al\u00e9m da sua fun\u00e7\u00e3o sensorial, estes neur\u00f3nios libertam tamb\u00e9m neuropept\u00eddeos e mol\u00e9culas sinalizadoras diretamente nos tecidos. Muitas destas mol\u00e9culas possuem fortes propriedades imunomoduladoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto levanta uma quest\u00e3o biol\u00f3gica fundamental: porque regulariam os neur\u00f3nios o sistema imunit\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta, argumentou Pavel, est\u00e1 na evolu\u00e7\u00e3o. Tanto os nociceptores como o sistema imunit\u00e1rio existem para proteger o organismo contra danos, mas fazem-no de formas complementares. Os nociceptores reagem rapidamente ao stress tecidular ou les\u00e3o, enquanto as c\u00e9lulas imunit\u00e1rias fornecem respostas defensivas especializadas e sustentadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs nociceptores devem funcionar aqui como sensores ou controladores, enquanto o sistema imunit\u00e1rio atua como efetor\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em circunst\u00e2ncias ideais, esta comunica\u00e7\u00e3o ajuda a coordenar prote\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o tecidular. Mas em doen\u00e7as como asma, inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica, infe\u00e7\u00e3o e cancro, estas intera\u00e7\u00f5es podem tornar-se maladaptativas. Pavel apresentou o exemplo do cancro da bexiga, onde investigadores descobriram evid\u00eancias de que os nociceptores podem ajudar ativamente os tumores a escapar ao ataque imunit\u00e1rio. Utilizando modelos murinos de cancro da bexiga, a equipa recriou um fen\u00f3meno conhecido como <em>intraluminal seeding<\/em>, no qual c\u00e9lulas tumorais libertadas para a bexiga conseguem reinstalar-se em tecido previamente saud\u00e1vel. Uma vez implantados, estes tumores tornaram-se densamente inervados por fibras nociceptoras e fortemente infiltrados por c\u00e9lulas imunit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"11635\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11635\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2-300x169.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2-768x432.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/2.jpg 1665w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"577\" data-id=\"11636\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4-1024x577.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11636\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4-300x169.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4-768x433.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4-1536x866.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4.jpg 1668w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Mas uma popula\u00e7\u00e3o imunit\u00e1ria destacou-se particularmente: as c\u00e9lulas supressoras derivadas da linhagem mieloide (MDSCs), c\u00e9lulas altamente imunossupressoras capazes de bloquear respostas antitumorais de c\u00e9lulas T.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que descobrimos foi que as nossas c\u00e9lulas T ficam exclu\u00eddas do tumor\u201d, explicou. \u201cEst\u00e3o posicionadas atr\u00e1s do que quase parece uma parede destas c\u00e9lulas mieloides supressoras.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para testar se os nociceptores estavam envolvidos na constru\u00e7\u00e3o deste ambiente imunossupressor, os investigadores eliminaram quimicamente neur\u00f3nios sens\u00edveis \u00e0 dor em ratinhos antes da implanta\u00e7\u00e3o tumoral. Os resultados foram claros. Na maioria dos animais sem nociceptores, os tumores n\u00e3o conseguiram estabelecer-se. Em vez disso, os investigadores observaram apenas tecido fibr\u00f3tico semelhante a cicatriz e sinais de destrui\u00e7\u00e3o tumoral. Este efeito protetor desapareceu em ratinhos sem c\u00e9lulas imunit\u00e1rias adaptativas, confirmando que a rejei\u00e7\u00e3o tumoral dependia de respostas funcionais das c\u00e9lulas T.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados sugerem que os nociceptores n\u00e3o estavam apenas presentes pr\u00f3ximo dos tumores, mas moldavam ativamente o microambiente tumoral de uma forma que resultava na supress\u00e3o da imunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Experi\u00eancias posteriores revelaram que os nociceptores interagiam diretamente com mon\u00f3citos rec\u00e9m-chegados, levando-os para um estado semelhante \u00e0s MDSCs imunossupressoras. Estas c\u00e9lulas alteradas n\u00e3o apenas inibiam a atividade das c\u00e9lulas T, como tamb\u00e9m come\u00e7avam elas pr\u00f3prias a proliferar, amplificando a supress\u00e3o imunit\u00e1ria dentro do tumor.<\/p>\n\n\n\n<p>An\u00e1lises transcript\u00f3micas mostraram que mon\u00f3citos expostos a nociceptores <em>in vitro<\/em> se tornavam molecularmente semelhantes \u00e0s c\u00e9lulas supressoras isoladas diretamente de tumores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o se trata apenas de uma mudan\u00e7a fenot\u00edpica\u201d, referiu o investigador. \u201cEstas c\u00e9lulas imunossupressoras come\u00e7am tamb\u00e9m a proliferar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio mecanismo de comunica\u00e7\u00e3o continua sob investiga\u00e7\u00e3o, embora evid\u00eancias iniciais sugiram que requer contacto c\u00e9lula-a-c\u00e9lula direto e envolva fatores de transcri\u00e7\u00e3o espec\u00edficos, como SP1.<\/p>\n\n\n\n<p>No conjunto, o trabalho prop\u00f5e um novo modelo de evas\u00e3o imunit\u00e1ria tumoral: \u00e0 medida que c\u00e9lulas tumorais da bexiga come\u00e7am a instalar-se, ativam nociceptores pr\u00f3ximos, que por sua vez reprogramam mon\u00f3citos em c\u00e9lulas supressoras que protegem o tumor do ataque das c\u00e9lulas T.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem nociceptores, por\u00e9m, esta barreira protetora nunca se forma, permitindo ao sistema imunit\u00e1rio eliminar o tumor antes do seu desenvolvimento completo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do cancro da bexiga, esta investiga\u00e7\u00e3o contribui para um campo em r\u00e1pida expans\u00e3o que explora como o sistema nervoso molda a imunidade no cancro, inflama\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o tecidular. O que antes era visto como uma simples via da dor est\u00e1 progressivamente a emergir como um regulador central da biologia imunit\u00e1ria. Estes resultados ligam-se tamb\u00e9m a quest\u00f5es mais amplas levantadas noutras \u00e1reas da investiga\u00e7\u00e3o em doen\u00e7as inflamat\u00f3rias, incluindo as doen\u00e7as pulmonares intersticiais discutidas anteriormente. Se os nociceptores moldam ativamente respostas imunit\u00e1rias e microambientes tecidulares, poder\u00e3o tamb\u00e9m influenciar a forma como a inflama\u00e7\u00e3o progride &#8211; ou n\u00e3o \u00e9 controlada &#8211; em doen\u00e7as fibr\u00f3ticas. Estas liga\u00e7\u00f5es emergentes entre sistema nervoso, imunidade e remodela\u00e7\u00e3o tecidular apontam para uma vis\u00e3o mais integrada da doen\u00e7a, na qual neur\u00f3nios, c\u00e9lulas imunit\u00e1rias e tecidos danificados comunicam continuamente para determinar os desfechos cl\u00ednicos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-1-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11628\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-1-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-1-300x168.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-1-768x431.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-1-1536x862.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1-1.jpg 1659w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>","protected":false},"featured_media":11640,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","news_category":[29],"news_tag":[],"publications":[],"publication_date":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news\/11643"}],"collection":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11643"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"news_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_category?post=11643"},{"taxonomy":"news_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_tag?post=11643"},{"taxonomy":"publications","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publications?post=11643"},{"taxonomy":"publication_date","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publication_date?post=11643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}