{"id":11796,"date":"2026-06-16T09:12:43","date_gmt":"2026-06-16T09:12:43","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/identificado-limiar-critico-de-bilirrubina-para-protecao-contra-a-malaria\/"},"modified":"2026-06-16T09:17:20","modified_gmt":"2026-06-16T09:17:20","slug":"identificado-limiar-critico-de-bilirrubina-para-protecao-contra-a-malaria","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/identificado-limiar-critico-de-bilirrubina-para-protecao-contra-a-malaria\/","title":{"rendered":"Identificado limiar cr\u00edtico de bilirrubina para prote\u00e7\u00e3o contra a mal\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Um estudo liderado por investigadores do laborat\u00f3rio de Miguel Soares, em colabora\u00e7\u00e3o com Bindu Paul, da Johns Hopkins University, revelou um detalhe crucial sobre a defesa natural do organismo contra a mal\u00e1ria: a prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas da presen\u00e7a de bilirrubina, como havia sido demonstrado anteriormente, mas tamb\u00e9m de atingir um n\u00edvel m\u00ednimo desta mol\u00e9cula durante a infe\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Publicado na revista <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/iscience\/fulltext\/S2589-0042(26)01333-7\">iScience<\/a>, o trabalho d\u00e1 continuidade a descobertas divulgadas no ano passado na revista <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adq6741\">Science<\/a>, nas quais a equipa demonstrou pela primeira vez que a bilirrubina \u2014 o pigmento amarelo tradicionalmente associado \u00e0 icter\u00edcia \u2014 pode comprometer diretamente a sobreviv\u00eancia do parasita da mal\u00e1ria, do g\u00e9nero <em>Plasmodium spp<\/em>.<\/p>\n\n<p>O estudo anterior tinha revelado que a bilirrubina atua como uma mol\u00e9cula antimal\u00e1rica natural, interferindo com mecanismos essenciais de desintoxica\u00e7\u00e3o do parasita no interior dos gl\u00f3bulos vermelhos. No entanto, estava por esclarecer uma quest\u00e3o importante: seria a pr\u00f3pria bilirrubina a respons\u00e1vel pelo efeito protetor ou poderiam outras fun\u00e7\u00f5es da enzima que a produz tamb\u00e9m desempenhar um papel relevante?<\/p>\n\n<p>Para responder a esta pergunta, os investigadores centraram-se na enzima biliverdina redutase A (BVRA), respons\u00e1vel pela convers\u00e3o da biliverdina em bilirrubina. Para al\u00e9m da sua fun\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica, a BVRA participa em diversos processos celulares, incluindo mecanismos de sinaliza\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n\n<p>Recorrendo a abordagens avan\u00e7adas de engenharia gen\u00e9tica dispon\u00edveis no GIMM, a equipa alterou seletivamente as regi\u00f5es da BVRA necess\u00e1rias para a produ\u00e7\u00e3o de bilirrubina, preservando simultaneamente as restantes fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas da prote\u00edna. Esta estrat\u00e9gia permitiu isolar a contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da bilirrubina durante a infe\u00e7\u00e3o por mal\u00e1ria.<\/p>\n\n<p>\u201cO que quer\u00edamos perceber era se a prote\u00e7\u00e3o contra a mal\u00e1ria resultava especificamente da produ\u00e7\u00e3o de bilirrubina ou de alguma das outras fun\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas \u00e0 BVRA\u201d, explica Miguel Mesquita, estudante de doutoramento no GIMM e primeiro autor do estudo.<\/p>\n\n<p>As experi\u00eancias conduziram a uma descoberta inesperada. Uma das muta\u00e7\u00f5es introduzidas n\u00e3o eliminou totalmente a produ\u00e7\u00e3o de bilirrubina, mas originou uma condi\u00e7\u00e3o que os investigadores descrevem como \u201chipom\u00f3rfica\u201d: os animais continuavam a produzir bilirrubina, embora em n\u00edveis inferiores aos normais. \u201cInicialmente pens\u00e1mos que t\u00ednhamos simplesmente bloqueado a produ\u00e7\u00e3o de bilirrubina\u201d, afirma Mesquita. \u201cMas o que descobrimos foi muito mais interessante: estes animais conseguiam produzir bilirrubina em condi\u00e7\u00f5es basais, mas n\u00e3o eram capazes de aumentar a sua produ\u00e7\u00e3o durante a infe\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que acontecia nos animais de controlo.\u201d<\/p>\n\n<p>Quando a infe\u00e7\u00e3o atinge o seu pico, os animais saud\u00e1veis aumentam drasticamente os n\u00edveis circulantes de bilirrubina. \u201cEstes animais mutantes n\u00e3o conseguiam ultrapassar esse limiar cr\u00edtico e essa pequena diferen\u00e7a foi suficiente para determinar a sobreviv\u00eancia\u201d, sublinha o investigador.<\/p>\n\n<p>O estudo identifica assim, pela primeira vez, a exist\u00eancia de um n\u00edvel m\u00ednimo de bilirrubina necess\u00e1rio para proteger contra formas graves de mal\u00e1ria. Os resultados refor\u00e7am tamb\u00e9m a ideia de que o papel biol\u00f3gico da bilirrubina depende de um equil\u00edbrio delicado. Embora seja t\u00f3xica em concentra\u00e7\u00f5es excessivas, esta mol\u00e9cula parece conferir uma importante vantagem protetora durante a infe\u00e7\u00e3o ao atuar diretamente sobre o parasita.<\/p>\n\n<p>Segundo Miguel Soares, \u201ca bilirrubina precisa de atingir um determinado limiar para interferir com a capacidade do parasita de desintoxicar o heme, a mol\u00e9cula respons\u00e1vel pelo transporte de oxig\u00e9nio e pela cor vermelha do sangue.\u201d Este mecanismo \u00e9 semelhante ao explorado pela cloroquina, um dos primeiros f\u00e1rmacos utilizados no tratamento da mal\u00e1ria.<\/p>\n\n<p>\u201c\u00c9 precisamente por ser t\u00f3xica que a bilirrubina consegue prejudicar o parasita\u201d, explica Mesquita. \u201cMas, como acontece em muitos sistemas biol\u00f3gicos, tudo depende do equil\u00edbrio.\u201d Al\u00e9m de aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos naturais de resist\u00eancia \u00e0 mal\u00e1ria, este trabalho abre novas perspetivas para o desenvolvimento de terapias capazes de modular o metabolismo da bilirrubina e refor\u00e7ar as respostas protetoras do pr\u00f3prio organismo contra doen\u00e7as infeciosas.<\/p>\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"939\" height=\"938\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Capture.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11792\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Capture.jpg 939w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Capture-300x300.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Capture-150x150.jpg 150w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Capture-768x767.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 939px) 100vw, 939px\" \/><\/figure><\/div>","protected":false},"featured_media":11795,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","news_category":[39],"news_tag":[],"publications":[],"publication_date":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news\/11796"}],"collection":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11796"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"news_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_category?post=11796"},{"taxonomy":"news_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_tag?post=11796"},{"taxonomy":"publications","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publications?post=11796"},{"taxonomy":"publication_date","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publication_date?post=11796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}