{"id":12182,"date":"2026-07-29T13:34:21","date_gmt":"2026-07-29T13:34:21","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/borboletas-revelam-como-comportamentos-aprendidos-podem-ser-herdados-entre-geracoes\/"},"modified":"2026-07-29T13:37:50","modified_gmt":"2026-07-29T13:37:50","slug":"borboletas-revelam-como-comportamentos-aprendidos-podem-ser-herdados-entre-geracoes","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/borboletas-revelam-como-comportamentos-aprendidos-podem-ser-herdados-entre-geracoes\/","title":{"rendered":"Borboletas revelam como comportamentos aprendidos podem ser herdados entre gera\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>Pode uma borboleta ensinar a sua descend\u00eancia do que deve gostar? A investiga\u00e7\u00e3o apresentada pela bi\u00f3loga evolutiva Ant\u00f3nia Monteiro sugere que sim.<\/p>\n\n<p>Num semin\u00e1rio realizado no GIMM, Ant\u00f3nia Monteiro, professora da National University of Singapore, explicou como as borboletas conseguem aprender novos odores associados aos parceiros reprodutivos e \u00e0s plantas de que se alimentam \u2013 e como essas prefer\u00eancias adquiridas podem ser transmitidas \u00e0 gera\u00e7\u00e3o seguinte. Um trabalho que desafia a ideia, h\u00e1 muito estabelecida, de que estes comportamentos s\u00e3o inteiramente inatos e oferecem novas pistas sobre os mecanismos que impulsionam a adapta\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>&#8220;Demonstr\u00e1mos que n\u00e3o existe uma prefer\u00eancia fixa por uma determinada combina\u00e7\u00e3o de feromonas&#8221;, afirmou Monteiro. &#8220;Existe uma prefer\u00eancia pl\u00e1stica, que pode ser alterada pela experi\u00eancia.&#8221;<\/p>\n\n<p>A equipa estuda a borboleta africana <em>Bicyclus anynana<\/em>, cujos machos produzem combina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de feromonas nas asas durante o ritual de corte. Ao alterar experimentalmente estes sinais qu\u00edmicos e expor f\u00eameas rec\u00e9m-emergidas \u00e0s novas combina\u00e7\u00f5es antes de atingirem a maturidade sexual, os investigadores verificaram que as f\u00eameas se tornavam mais propensas a acasalar com machos portadores do novo odor.<\/p>\n\n<p>Mais surpreendente ainda, as suas filhas herdavam esta altera\u00e7\u00e3o comportamental, apesar de nunca terem estado expostas \u00e0 nova feromona.<\/p>\n\n<p>&#8220;As prefer\u00eancias por odores de feromonas s\u00e3o herdadas&#8221;, explicou Ant\u00f3nia Monteiro. &#8220;Acreditamos que este tipo de aprendizagem pode facilitar altera\u00e7\u00f5es nas prefer\u00eancias de acasalamento e contribuir para o acasalamento seletivo e, potencialmente, para a especia\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n<p>O grupo investigou tamb\u00e9m o que acontece no sistema nervoso destes insetos durante este processo. As an\u00e1lises ao c\u00e9rebro e \u00e0s antenas revelaram altera\u00e7\u00f5es moleculares extensas ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o aos odores, incluindo modifica\u00e7\u00f5es generalizadas no alternative RNA splicing e altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es de metila\u00e7\u00e3o do ADN de genes envolvidos no olfato.<\/p>\n\n<p>Em vez de alterar simplesmente que genes s\u00e3o ativados ou desativados, as borboletas parecem modificar a forma como muitos desses genes s\u00e3o processados, originando diferentes variantes proteicas que poder\u00e3o remodelar os circuitos neuronais respons\u00e1veis pelo olfato e pela mem\u00f3ria.<\/p>\n\n<p>O mesmo fen\u00f3meno estende-se para al\u00e9m da escolha de parceiros. Numa segunda s\u00e9rie de experi\u00eancias, a equipa de Monteiro exp\u00f4s lagartas a novos odores de plantas, adicionando compostos arom\u00e1ticos espec\u00edficos ao seu alimento. As larvas, que inicialmente evitavam esses odores, desenvolveram gradualmente uma prefer\u00eancia por eles \u00e0 medida que se alimentavam, e essa nova prefer\u00eancia foi tamb\u00e9m transmitida aos seus descendentes.<\/p>\n\n<p>Os investigadores descobriram depois uma pista inesperada sobre a forma como esta informa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser herdada. Ao transferirem hemolinfa \u2014 o equivalente ao sangue nos insetos \u2014 de lagartas expostas ao novo odor para indiv\u00edduos n\u00e3o expostos, conseguiram induzir altera\u00e7\u00f5es semelhantes nas prefer\u00eancias comportamentais dos animais recetores e, posteriormente, da sua descend\u00eancia.<\/p>\n\n<p>&#8220;Sabemos que este fator circula no sangue&#8221;, afirmou a investigadora. &#8220;Ainda n\u00e3o sabemos qual \u00e9 esse fator de heran\u00e7a, mas sabemos que est\u00e1 l\u00e1.&#8221;<\/p>\n\n<p>O trabalho em curso procura agora identificar este misterioso sinal. A equipa est\u00e1 a investigar se pequenas mol\u00e9culas de RNA, ves\u00edculas extracelulares ou at\u00e9 as pr\u00f3prias mol\u00e9culas odor\u00edferas poder\u00e3o transportar informa\u00e7\u00e3o do sistema nervoso para as c\u00e9lulas reprodutoras, permitindo que experi\u00eancias adquiridas influenciem a gera\u00e7\u00e3o seguinte.<\/p>\n\n<p>Para al\u00e9m de revelar uma forma inesperada de heran\u00e7a biol\u00f3gica, estes resultados poder\u00e3o ajudar a explicar como as borboletas se adaptam a novos ambientes. Aprender a reconhecer novos odores de plantas hospedeiras poder\u00e1 permitir que diferentes popula\u00e7\u00f5es explorem plantas anteriormente inadequadas, enquanto altera\u00e7\u00f5es herdadas nas prefer\u00eancias de acasalamento poder\u00e3o refor\u00e7ar o isolamento reprodutivo entre popula\u00e7\u00f5es em diverg\u00eancia. &#8220;A aprendizagem de odores&#8221;, concluiu Ant\u00f3nia Monteiro, &#8220;pode facilitar a mudan\u00e7a para novas plantas hospedeiras, alterar as prefer\u00eancias de acasalamento e, em \u00faltima an\u00e1lise, contribuir para o processo de especia\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/AntoniaMonteiroSel-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12178\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/AntoniaMonteiroSel-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/AntoniaMonteiroSel-300x169.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/AntoniaMonteiroSel-768x432.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/AntoniaMonteiroSel-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/AntoniaMonteiroSel-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>","protected":false},"featured_media":12181,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","news_category":[29],"news_tag":[],"publications":[],"publication_date":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news\/12182"}],"collection":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12182"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"news_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_category?post=12182"},{"taxonomy":"news_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_tag?post=12182"},{"taxonomy":"publications","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publications?post=12182"},{"taxonomy":"publication_date","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publication_date?post=12182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}