{"id":12405,"date":"2026-09-03T10:40:28","date_gmt":"2026-09-03T10:40:28","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/nem-mais-nem-menos-investigadores-do-gimm-descobrem-um-mecanismo-chave-que-controla-a-contracao-muscular\/"},"modified":"2026-09-03T10:44:10","modified_gmt":"2026-09-03T10:44:10","slug":"nem-mais-nem-menos-investigadores-do-gimm-descobrem-um-mecanismo-chave-que-controla-a-contracao-muscular","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/nem-mais-nem-menos-investigadores-do-gimm-descobrem-um-mecanismo-chave-que-controla-a-contracao-muscular\/","title":{"rendered":"Nem mais, nem menos: investigadores do GIMM descobrem um mecanismo-chave que controla a contra\u00e7\u00e3o muscular"},"content":{"rendered":"\n<p>Todos os movimentos do nosso corpo, desde pestanejar at\u00e9 correr, dependem da capacidade das fibras musculares se contra\u00edrem de forma r\u00e1pida e sincronizada. Isto acontece gra\u00e7as a uma complexa rede de membranas internas, conhecida como t\u00fabulos T, que conduz o impulso el\u00e9trico desde a superf\u00edcie at\u00e9 ao interior da fibra muscular, desencadeando a liberta\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio necess\u00e1ria para a contra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Altera\u00e7\u00f5es nesta rede est\u00e3o associadas a v\u00e1rias doen\u00e7as musculares, como as distrofias musculares, as miopatias cong\u00e9nitas e algumas doen\u00e7as card\u00edacas. No entanto, apesar da sua import\u00e2ncia, ainda n\u00e3o se compreendiam totalmente os mecanismos que controlam a forma\u00e7\u00e3o e o crescimento dos t\u00fabulos T.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo da equipa de Edgar Gomes, do GIMM, revela agora que o desenvolvimento normal do m\u00fasculo depende de um delicado equil\u00edbrio: os t\u00fabulos T t\u00eam de crescer, sim, mas n\u00e3o demasiado.<\/p>\n\n\n\n<p>Este equil\u00edbrio depende de um mecanismo identificado pela equipa do GIMM que funciona como um verdadeiro trav\u00e3o molecular, impedindo o crescimento excessivo desta rede e garantindo a correta organiza\u00e7\u00e3o da fibra muscular.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Construir um m\u00fasculo exige equil\u00edbrio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os t\u00fabulos T s\u00e3o invagina\u00e7\u00f5es da membrana da c\u00e9lula muscular que aumentam significativamente a sua superf\u00edcie e permitem que o sinal el\u00e9trico chegue quase instantaneamente ao interior destas c\u00e9lulas, que podem atingir grandes dimens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No interior da fibra muscular, os t\u00fabulos T formam estruturas altamente organizadas, chamadas tr\u00edades, onde ficam em contacto estreito com o ret\u00edculo sarcoplasm\u00e1tico, respons\u00e1vel por libertar o c\u00e1lcio que desencadeia a contra\u00e7\u00e3o muscular.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma arquitetura t\u00e3o precisa exige um controlo rigoroso durante o desenvolvimento. Mas como conseguem as c\u00e9lulas fazer crescer esta complexa rede de membranas sem perder a sua organiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Para responder a esta quest\u00e3o, os investigadores combinaram t\u00e9cnicas de estudo celular, manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e an\u00e1lises funcionais da contra\u00e7\u00e3o muscular.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados mostram que o crescimento dos t\u00fabulos T n\u00e3o acontece de forma descontrolada. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 cuidadosamente limitado pelo c\u00f3rtex de actina, uma rede de filamentos que ajuda a dar forma \u00e0 c\u00e9lula e que se encontra imediatamente abaixo da membrana celular.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores descobriram que este mecanismo depende da Arpc5, uma componente do complexo proteico Arp2\/3, que atua como um trav\u00e3o ao crescimento excessivo dos t\u00fabulos T.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os investigadores eliminaram a Arpc5, as consequ\u00eancias foram claras. Em vez de formarem uma rede organizada, os t\u00fabulos T tornaram-se anormalmente grandes e desorganizados, e a comunica\u00e7\u00e3o entre o impulso el\u00e9trico e a liberta\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio ficou comprometida. Como consequ\u00eancia, as fibras musculares perderam a capacidade de se contrair de forma sincronizada. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEste modelo sugere que, ao contr\u00e1rio do que seria de esperar, o crescimento dos t\u00fabulos T n\u00e3o depende de um mecanismo que os fa\u00e7a avan\u00e7ar, mas da capacidade da c\u00e9lula de controlar quando e onde a membrana se torna dispon\u00edvel para formar novas invagina\u00e7\u00f5es. Foi uma descoberta muito surpreendente!\u201d, nota Raquel Pereira, uma das autoras principais do estudo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Compreender melhor as doen\u00e7as musculares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Altera\u00e7\u00f5es na organiza\u00e7\u00e3o dos t\u00fabulos T comprometem a contra\u00e7\u00e3o muscular e s\u00e3o uma caracter\u00edstica comum de v\u00e1rias doen\u00e7as, como as distrofias musculares, as miopatias cong\u00e9nitas e algumas doen\u00e7as card\u00edacas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo identificar o mecanismo que impede o crescimento excessivo desta rede de membranas, o estudo fornece uma nova perspetiva sobre a forma como a arquitetura das fibras musculares \u00e9 constru\u00edda e mantida\u201d, explica Silvia Di Francescantonio, tamb\u00e9m autora principal do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o demonstre diretamente um papel deste mecanismo nestas doen\u00e7as, o trabalho ajuda a compreender melhor os processos celulares que poder\u00e3o contribuir para a desorganiza\u00e7\u00e3o muscular e abre novas pistas para o estudo destas patologias.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ana Raquel Pereira1,2\u2020, Silvia Di Francescantonio1,2\u2020, Ana da Rosa Soares1,2,3, Tianyang Liu4, Filomena A. Carvalho1,2, Josie Liane Ferreira4,5, Graciano Leal1,2, In\u00eas Faleiro1,2, Naoko Kogata6, Beatrice Labella7, Teresinha Evangelista7,8,9, Nuno C. Santos1,2, Michael Way6,10, Carolyn A. Moores4, Edgar R. Gomes1,2* (2026) The actomyosin cortex controls t-tubule remodeling in skeletal muscle. <\/em><em>Science Advances. DOI: 10.1126\/sciadv.aeb3209<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Artigo original:\u202f<a href=\"http:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aeb3209\">https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aeb3209<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Edgar-Lab-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12401\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Edgar-Lab-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Edgar-Lab-300x200.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Edgar-Lab-768x512.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Edgar-Lab-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Edgar-Lab.jpg 2008w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Este projeto de investiga\u00e7\u00e3o foi financiado pelo Conselho Europeu de Investiga\u00e7\u00e3o (ERC), ao abrigo do programa de investiga\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o Horizonte 2020 da Uni\u00e3o Europeia (contrato de financiamento n.\u00ba 810207), e foi desenvolvido na Funda\u00e7\u00e3o GIMM \u2013 Gulbenkian Institute for Molecular Medicine, em Lisboa, Portugal.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":12404,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","news_category":[39],"news_tag":[],"publications":[],"publication_date":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news\/12405"}],"collection":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12405"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12404"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"news_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_category?post=12405"},{"taxonomy":"news_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_tag?post=12405"},{"taxonomy":"publications","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publications?post=12405"},{"taxonomy":"publication_date","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publication_date?post=12405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}