{"id":12550,"date":"2026-09-30T10:50:50","date_gmt":"2026-09-30T10:50:50","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/construir-celulas-pancreaticas-mais-inteligentes-para-tratar-a-diabetes-e-o-cancro\/"},"modified":"2026-09-30T10:56:35","modified_gmt":"2026-09-30T10:56:35","slug":"construir-celulas-pancreaticas-mais-inteligentes-para-tratar-a-diabetes-e-o-cancro","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/construir-celulas-pancreaticas-mais-inteligentes-para-tratar-a-diabetes-e-o-cancro\/","title":{"rendered":"Construir c\u00e9lulas pancre\u00e1ticas mais inteligentes para tratar a diabetes e o cancro"},"content":{"rendered":"\n<p>Na sua palestra no GIMM, \u201cUsing human stem cells to optimize beta cells for therapy and model pancreatic cancer\u201d, Matthias Hebrok, da Technical University Munich, explorou de que forma as tecnologias de c\u00e9lulas estaminais podem ajudar a enfrentar duas das principais doen\u00e7as do p\u00e2ncreas: a diabetes e o cancro do p\u00e2ncreas.<\/p>\n\n<p>O p\u00e2ncreas \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o complexo, constitu\u00eddo por v\u00e1rios tipos de c\u00e9lulas e, como explicou durante o semin\u00e1rio, o trabalho de Hebrok vai muito al\u00e9m de simplesmente gerar c\u00e9lulas pancre\u00e1ticas em laborat\u00f3rio. O objetivo \u00e9 compreender o que torna estas c\u00e9lulas funcionais e resistentes, e desenvolver modelos que permitam perceber como a doen\u00e7a evolui.<\/p>\n\n<p>As c\u00e9lulas end\u00f3crinas s\u00e3o respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de hormonas como a insulina, que regula os n\u00edveis de glicose no sangue. Quando as c\u00e9lulas beta produtoras de insulina s\u00e3o destru\u00eddas ou deixam de funcionar corretamente, pode desenvolver-se diabetes \u2013 uma doen\u00e7a que afeta 11% da popula\u00e7\u00e3o mundial. Atualmente, o transplante de ilh\u00e9us pancre\u00e1ticos pode permitir recuperar o controlo da glicemia em alguns doentes, mas a disponibilidade de tecido de dadores \u00e9 extremamente limitada.<\/p>\n\n<p>As tecnologias de c\u00e9lulas estaminais podem oferecer uma forma de contornar este problema. Atrav\u00e9s da diferencia\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas estaminais pluripotentes em c\u00e9lulas pancre\u00e1ticas, os investigadores conseguem gerar grandes quantidades de c\u00e9lulas beta produtoras de insulina para transplante. Estudos cl\u00ednicos j\u00e1 demonstraram o potencial desta abordagem: ilh\u00e9us derivados de c\u00e9lulas estaminais foram transplantados em doentes, tendo alguns conseguido manter n\u00edveis normais de glicose no sangue e tornar-se menos dependentes de insulina.<\/p>\n\n<p>Mas, segundo Hebrok, a atual gera\u00e7\u00e3o de ilh\u00e9us derivados de c\u00e9lulas estaminais \u00e9 apenas o come\u00e7o. \u201cAquilo em que todos est\u00e3o a trabalhar [&#8230;] ser\u00e1 a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de ilh\u00e9us derivados de c\u00e9lulas estaminais.\u201d<\/p>\n\n<p>O desafio \u00e9 fazer com que estas c\u00e9lulas se comportem mais como c\u00e9lulas beta humanas maduras. Hebrok apresentou investiga\u00e7\u00e3o centrada na MafA, um fator de transcri\u00e7\u00e3o que ativa diretamente a express\u00e3o da insulina e cujos n\u00edveis e atividade se alteram \u00e0 medida que as c\u00e9lulas beta amadurecem. As experi\u00eancias da sua equipa mostram que aumentar a express\u00e3o de MafA em c\u00e9lulas beta derivadas de c\u00e9lulas estaminais pode aumentar os marcadores da identidade das c\u00e9lulas beta e melhorar a sua funcionalidade. Estas c\u00e9lulas apresentam tamb\u00e9m uma maior atividade metab\u00f3lica e parecem estar mais bem preparadas para lidar com o stress oxidativo.<br\/>Tudo isto aponta para uma ambi\u00e7\u00e3o mais abrangente: criar c\u00e9lulas que n\u00e3o sejam apenas funcionais, mas capazes de responder de forma inteligente aos desafios que encontram depois do transplante. Hebrok descreveu a sua vis\u00e3o como a cria\u00e7\u00e3o de \u201cc\u00e9lulas inteligentes e autorregenerativas\u201d, capazes de reconhecer determinados fatores de stress e ativar respostas de prote\u00e7\u00e3o quando necess\u00e1rio.<\/p>\n\n<p>No entanto, aumentar meramente o metabolismo celular n\u00e3o \u00e9 suficiente. As c\u00e9lulas precisam de energia para funcionar. Mas uma atividade metab\u00f3lica excessiva pode tamb\u00e9m gerar esp\u00e9cies reativas de oxig\u00e9nio que s\u00e3o prejudiciais e, eventualmente, levar ao esgotamento celular. \u00c9 por isso que a equipa de Hebrok est\u00e1 a explorar formas de tornar estas respostas condicionais. Por exemplo, desenvolveram sistemas que ativam determinados programas gen\u00e9ticos apenas quando est\u00e1 presente um fator de stress espec\u00edfico, como a hip\u00f3xia, em vez de os manterem permanentemente ativos.<\/p>\n\n<p>Na segunda parte do semin\u00e1rio, Hebrok centrou-se no cancro do p\u00e2ncreas, uma doen\u00e7a que continua a ser particularmente dif\u00edcil de diagnosticar e tratar. Ao contr\u00e1rio de alguns outros tipos de cancro, o cancro do p\u00e2ncreas \u00e9 frequentemente detetado numa fase avan\u00e7ada, quando as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas s\u00e3o limitadas. A equipa de Hebrok est\u00e1, por isso, a utilizar a tecnologia de c\u00e9lulas estaminais n\u00e3o apenas para estudar a doen\u00e7a, mas tamb\u00e9m para recriar no laborat\u00f3rio alguns dos aspetos do funcionamento do p\u00e2ncreas.<\/p>\n\n<p>Os investigadores desenvolveram modelos de organoides pancre\u00e1ticos com estruturas cada vez mais complexas, incluindo arquiteturas ramificadas e ocas, semelhantes a ductos, que reproduzem de forma mais pr\u00f3xima a organiza\u00e7\u00e3o do p\u00e2ncreas humano. Podem depois introduzir altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas associadas ao cancro do p\u00e2ncreas e observar como as c\u00e9lulas e a sua arquitetura se alteram ao longo do tempo.<\/p>\n\n<p>O objetivo final \u00e9 compreender o que acontece antes de surgir um tumor plenamente desenvolvido. Ao recriar as fases iniciais da doen\u00e7a, os investigadores esperam identificar as altera\u00e7\u00f5es moleculares e os biomarcadores que possam sinalizar o desenvolvimento do cancro do p\u00e2ncreas muito mais cedo do que \u00e9 atualmente poss\u00edvel.<\/p>\n\n<p>\u201cA ideia seria recuar a uma fase mais precoce, antes de se ter transformado num cancro plenamente desenvolvido, identificar os biomarcadores, identificar as mol\u00e9culas.\u201d<\/p>\n\n<p>A mais longo prazo, isto poder\u00e1 abrir caminho a estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o, em vez de depender exclusivamente do tratamento de tumores j\u00e1 estabelecidos. Hebrok chegou mesmo a imaginar um futuro em que a preven\u00e7\u00e3o do cancro possa fazer parte dos cuidados de sa\u00fade de rotina. Na mensagem final, Hebrok mostrou-se otimista quanto ao potencial da investiga\u00e7\u00e3o em c\u00e9lulas estaminais. Referindo-se aos prim\u00f3rdios da avia\u00e7\u00e3o, quando a possibilidade de o ser humano voar ainda era rejeitada por alguns, tra\u00e7ou um paralelismo com os desafios cient\u00edficos atuais. \u201cEstamos prestes a levantar voo e, na verdade, com as c\u00e9lulas estaminais j\u00e1 estamos a levantar voo. [&#8230;] Acho que isto \u00e9 apenas o come\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MathiasHebrok1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12548\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MathiasHebrok1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MathiasHebrok1-300x200.jpg 300w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MathiasHebrok1-768x512.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MathiasHebrok1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MathiasHebrok1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>","protected":false},"featured_media":12547,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","news_category":[],"news_tag":[],"publications":[],"publication_date":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news\/12550"}],"collection":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12550"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"news_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_category?post=12550"},{"taxonomy":"news_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_tag?post=12550"},{"taxonomy":"publications","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publications?post=12550"},{"taxonomy":"publication_date","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publication_date?post=12550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}