{"id":12831,"date":"2026-10-29T10:21:14","date_gmt":"2026-10-29T10:21:14","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/olhar-para-o-espaco-para-fazer-avancar-a-ciencia-na-terra-os-destaques-do-science-and-space-symposium\/"},"modified":"2026-10-29T10:57:17","modified_gmt":"2026-10-29T10:57:17","slug":"olhar-para-o-espaco-para-fazer-avancar-a-ciencia-na-terra-os-destaques-do-science-and-space-symposium","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/olhar-para-o-espaco-para-fazer-avancar-a-ciencia-na-terra-os-destaques-do-science-and-space-symposium\/","title":{"rendered":"Olhar para o espa\u00e7o para fazer avan\u00e7ar a ci\u00eancia na Terra: os destaques do Science and Space Symposium"},"content":{"rendered":"\n<p>O espa\u00e7o torna tudo mais desafiante &#8211; e \u00e9 a\u00ed que come\u00e7am as oportunidades. Desde compreender como o corpo humano reage \u00e0 microgravidade at\u00e9 investigar os efeitos da radia\u00e7\u00e3o e descobrir as altera\u00e7\u00f5es no nosso microbioma em condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas, a investiga\u00e7\u00e3o espacial oferece uma oportunidade \u00fanica para explorar processos biol\u00f3gicos dif\u00edceis de estudar na Terra. Estes desafios, e as descobertas cient\u00edficas que podem permitir, estiveram no centro do Science and Space Symposium, promovido pelo GIMM, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) e pela Ag\u00eancia Espacial Portuguesa, nos dias 21 e 22 de outubro. <\/p>\n\n\n\n<p>A liga\u00e7\u00e3o formal do GIMM \u00e0 ci\u00eancia espacial come\u00e7ou em julho de 2025, quando o Biobanco do GIMM foi anunciado como reposit\u00f3rio oficial de amostras da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA). Com este encontro, reunimos investigadores, cl\u00ednicos e especialistas do setor espacial para explorar de que forma a investiga\u00e7\u00e3o realizada no espa\u00e7o pode fazer avan\u00e7ar o conhecimento biom\u00e9dico, inspirar novas tecnologias e contribuir para melhores cuidados de sa\u00fade na Terra. Ao longo de um dia e meio de apresenta\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e debates, que reuniram cerca de 150 participantes, uma mensagem tornou-se clara: explorar o espa\u00e7o n\u00e3o significa apenas alcan\u00e7ar novas fronteiras, mas tamb\u00e9m descobrir novas formas de compreender a vida no nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"677\" height=\"1024\" data-id=\"12829\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-677x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12829\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-677x1024.jpg 677w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-198x300.jpg 198w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1-768x1161.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/1.jpg 875w\" sizes=\"(max-width: 677px) 100vw, 677px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"678\" height=\"1024\" data-id=\"12828\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2-678x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12828\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2-678x1024.jpg 678w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2-198x300.jpg 198w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2-768x1161.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2.jpg 878w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"687\" height=\"1024\" data-id=\"12826\" src=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-687x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12826\" srcset=\"https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-687x1024.jpg 687w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-201x300.jpg 201w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3-768x1144.jpg 768w, https:\/\/gimm.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/3.jpg 892w\" sizes=\"(max-width: 687px) 100vw, 687px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Preparar a explora\u00e7\u00e3o espacial: compreender o corpo humano em ambientes extremos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A humanidade quer ir ao espa\u00e7o porque \u00abele est\u00e1 l\u00e1\u00bb. No entanto, a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o termina quando chegamos l\u00e1. As experi\u00eancias realizadas no espa\u00e7o podem gerar conhecimento com aplica\u00e7\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m do setor espacial.<\/p>\n\n\n\n<p>Angelique Van Ombergen, respons\u00e1vel cient\u00edfica pela \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o da ESA, abriu a primeira sess\u00e3o lan\u00e7ando uma quest\u00e3o central: o que precisamos de compreender sobre a biologia humana antes de podermos explorar o espa\u00e7o em seguran\u00e7a durante per\u00edodos mais prolongados? Ao longo da sess\u00e3o, fic\u00e1mos a conhecer a investiga\u00e7\u00e3o realizada na Terra que ser\u00e1 essencial para viabilizar futuras miss\u00f5es espaciais. Entre as \u00e1reas priorit\u00e1rias est\u00e3o a homeostase cardiovascular em condi\u00e7\u00f5es de microgravidade, a regenera\u00e7\u00e3o muscular, os efeitos da exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0 radia\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o dos microrganismos sob as condi\u00e7\u00f5es extremas das viagens espaciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores estudam estes efeitos para desenvolver estrat\u00e9gias que protejam os astronautas em futuras miss\u00f5es. Compreender a homeostase cardiovascular em microgravidade, identificar os mecanismos envolvidos na regenera\u00e7\u00e3o muscular e avaliar as consequ\u00eancias a longo prazo da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o s\u00e3o passos essenciais para tornar a explora\u00e7\u00e3o espacial humana mais segura.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Das viagens espaciais a novas perspetivas sobre a sa\u00fade humana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia possibilitada pela explora\u00e7\u00e3o espacial (exploration-enabled science) tira partido das condi\u00e7\u00f5es \u00fanicas do espa\u00e7o para investigar processos biol\u00f3gicos e desafios relacionados com a sa\u00fade. Ao estudar a forma como o corpo humano reage \u00e0 microgravidade e a outras condi\u00e7\u00f5es das viagens espaciais, os investigadores podem obter novas perspetivas sobre o envelhecimento, a doen\u00e7a e o funcionamento dos tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A investigadora do GIMM Joana Neves e o orador convidado Nandu Goswami, da Mohammed Bin Rashid University of Medicine and Health Sciences, discutiram os efeitos das viagens espaciais na fisiologia muscular. Em microgravidade, os m\u00fasculos est\u00e3o sujeitos a uma menor carga mec\u00e2nica, o que provoca altera\u00e7\u00f5es na sua massa e fun\u00e7\u00e3o. Algumas destas altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o semelhantes \u00e0s que se observam durante o envelhecimento e em determinadas doen\u00e7as associadas \u00e0 perda de massa muscular.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de amostras biol\u00f3gicas recolhidas durante miss\u00f5es espaciais pode ajudar os investigadores a compreender os mecanismos subjacentes a estas altera\u00e7\u00f5es e a identificar poss\u00edveis estrat\u00e9gias para preservar a sa\u00fade muscular. O espa\u00e7o oferece, assim, um contexto singular para estudar processos que tamb\u00e9m s\u00e3o relevantes para os doentes na Terra.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O microbioma: um ecossistema que viaja connosco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando os astronautas da Apollo 11 regressaram \u00e0 Terra, passaram, como \u00e9 bem conhecido, duas semanas em quarentena para garantir que n\u00e3o transportavam agentes patog\u00e9nicos extraterrestres. A an\u00e1lise das amostras trazidas da primeira miss\u00e3o \u00e0 Lua permitiu aos cientistas concluir que n\u00e3o existem microrganismos na Lua. No entanto, h\u00e1 algo que nos acompanha para todo o lado: o nosso microbioma. E os astronautas n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o quando viajam para o espa\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece aos microbiomas humanos no espa\u00e7o? Nicholas Brereton, da University College Dublin, e Christine Moiss, da Medical University of Graz, explicaram como est\u00e3o a utilizar dados recolhidos junto de astronautas para compreender as altera\u00e7\u00f5es no microbioma provocadas pelas viagens espaciais, as suas implica\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade do hospedeiro e, por extrapola\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o entre o microbioma e a sa\u00fade aqui na Terra.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>A seguran\u00e7a face \u00e0 radia\u00e7\u00e3o: um desafio comum a astronautas e doentes oncol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais riscos associados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o espacial, sobretudo durante miss\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o. Compreender os seus efeitos \u00e9 fundamental para desenvolver estrat\u00e9gias eficazes de prote\u00e7\u00e3o dos astronautas. Ao mesmo tempo, a investiga\u00e7\u00e3o sobre a radia\u00e7\u00e3o e a sua intera\u00e7\u00e3o com os sistemas biol\u00f3gicos pode contribuir para avan\u00e7os na medicina. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma das \u00e1reas de interesse \u00e9 a teran\u00f3stica, que combina abordagens de diagn\u00f3stico e tratamento, em particular no tratamento do cancro. A investiga\u00e7\u00e3o dos mecanismos biol\u00f3gicos associados \u00e0 radia\u00e7\u00e3o pode ajudar a desenvolver novas formas de detetar e tratar doen\u00e7as, contribuindo tamb\u00e9m para compreender melhor como minimizar os danos causados pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio tem, assim, duas vertentes: proteger os astronautas dos riscos das viagens espaciais e transformar o conhecimento adquirido em potenciais benef\u00edcios para os doentes na Terra.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>A intelig\u00eancia artificial e o crescente valor dos dados recolhidos no espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O simp\u00f3sio explorou tamb\u00e9m a forma como as tecnologias emergentes podem ajudar os investigadores a transformar experi\u00eancias realizadas no espa\u00e7o em novas aplica\u00e7\u00f5es biom\u00e9dicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Kimberly Washington, em representa\u00e7\u00e3o da Yotta e com base em trabalho desenvolvido na interse\u00e7\u00e3o entre a investiga\u00e7\u00e3o da NASA e da Mayo Clinic, abordou o potencial da intelig\u00eancia artificial na descoberta de f\u00e1rmacos, recorrendo a conhecimentos biol\u00f3gicos obtidos atrav\u00e9s da investiga\u00e7\u00e3o espacial. Exemplos envolvendo c\u00e9lulas T enviadas para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS), no \u00e2mbito de colabora\u00e7\u00f5es entre o MD Anderson Cancer Center e a NASA, ilustraram como as experi\u00eancias em \u00f3rbita podem ajudar os investigadores a estudar a biologia do sistema imunit\u00e1rio em condi\u00e7\u00f5es ambientais invulgares.<\/p>\n\n\n\n<p>A intelig\u00eancia artificial pode apoiar este trabalho atrav\u00e9s da an\u00e1lise de conjuntos de dados complexos, da identifica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es e da formula\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses para investiga\u00e7\u00e3o futura. Como foi salientado nas discuss\u00f5es sobre investiga\u00e7\u00e3o desenvolvida na universidade do M\u00e9dio Oriente, KAUST, a IA pode ser uma ferramenta poderosa para gerar hip\u00f3teses, ajudando os cientistas a identificar quest\u00f5es promissoras e a orientar experi\u00eancias posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, as ferramentas computacionais s\u00e3o apenas uma parte do processo. O seu valor depende da qualidade dos dados utilizados, das quest\u00f5es biol\u00f3gicas colocadas e do trabalho experimental necess\u00e1rio para validar novas descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas apresenta\u00e7\u00f5es deram um rosto, e uma dimens\u00e3o humana, aos desafios da vida no espa\u00e7o. Diogo Paup\u00e9rio, astronauta an\u00e1logo que passou 100 dias em isolamento na Terra, e Matthias Maurer, astronauta da ESA que esteve a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional durante 177 dias, partilharam as suas experi\u00eancias. Das rotinas de trabalho rigorosas \u00e0s limita\u00e7\u00f5es alimentares, ficou claro que as viagens espaciais est\u00e3o longe de ser um passeio no parque. <\/p>\n\n\n\n<p>O simp\u00f3sio terminou com uma mesa-redonda que sintetizou os principais temas do encontro. Participaram Hugo Costa, em representa\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Espacial Portuguesa, Rui Santos, do AED Cluster Portugal, Edson Oliveira, diretor do CEMA e neurocirurgi\u00e3o, e S\u00e9rgio Dias, codiretor do Biobanco do GIMM. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais mensagens do debate foi a possibilidade de Portugal vir a ter um astronauta pr\u00f3prio &#8211; um marco que reflete a ambi\u00e7\u00e3o partilhada por praticamente todas as na\u00e7\u00f5es envolvidas na explora\u00e7\u00e3o espacial.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Science and Space Symposium 2026\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6spfesvofl4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; 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