{"id":3332,"date":"2025-03-18T16:14:33","date_gmt":"2025-03-18T16:14:33","guid":{"rendered":"https:\/\/gimm.pt\/news\/what-challenges-do-aedes-aegypti-and-aedes-albopictus-mosquitoes-present-in-portugal\/"},"modified":"2025-03-18T16:38:22","modified_gmt":"2025-03-18T16:38:22","slug":"what-challenges-do-aedes-aegypti-and-aedes-albopictus-mosquitoes-present-in-portugal","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/not\u00edcias\/what-challenges-do-aedes-aegypti-and-aedes-albopictus-mosquitoes-present-in-portugal\/","title":{"rendered":"Que desafios trazem os mosquitos\u00a0Aedes aegypti\u00a0e\u00a0Aedes albopictus\u00a0em Portugal?"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O aparecimento e expans\u00e3o dos mosquitos&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Aedes albopictus<\/em>&nbsp;em territ\u00f3rio nacional, capazes de transmitir doen\u00e7as como dengue, Zika e chikungunya, representam um desafio crescente para a sa\u00fade p\u00fablica em Portugal. Enquanto investigador na Funda\u00e7\u00e3o GIMM, que trabalha diretamente com estes mosquitos e as doen\u00e7as que transmitem, considero que esta realidade deve ser encarada com seriedade e sem alarmismo, mas com a consci\u00eancia de que \u00e9 necess\u00e1rio agir para evitar cen\u00e1rios futuros mais complexos.<\/p>\n\n\n\n<p>O\u00a0<em>Aedes aegypti<\/em>, presente na Madeira, j\u00e1 demonstrou o seu impacto com o surto de dengue de 2012-2013, enquanto o\u00a0<em>Aedes albopictus<\/em>\u00a0tem vindo a consolidar-se em Portugal Continental, sendo recentemente detetado em Lisboa e no Algarve. Ambos s\u00e3o vetores comprovados de doen\u00e7as\u00a0como a dengue, Zika e chikungunya e a sua presen\u00e7a exige uma resposta integrada entre ci\u00eancia, autoridades de sa\u00fade e sociedade.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>A ci\u00eancia e a vigil\u00e2ncia como ferramentas essenciais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O risco de transmiss\u00e3o destes v\u00edrus n\u00e3o depende apenas da presen\u00e7a do mosquito. \u00c9 necess\u00e1rio que uma pessoa j\u00e1 infetada por um destes v\u00edrus em Portugal, seja picada pelo mosquito, e que este, por sua vez, transmita o v\u00edrus a outras pessoas. No entanto, com o aumento das viagens internacionais e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, este risco torna-se cada vez mais presente.<\/p>\n\n\n\n<p>A vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e entomol\u00f3gica \u00e9, por isso, um pilar essencial. Identificar precocemente casos suspeitos e monitorizar as popula\u00e7\u00f5es de mosquitos permite antecipar potenciais surtos e adotar medidas preventivas eficazes. Temos de agir de forma preventiva e n\u00e3o apenas quando os surtos acontecem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, o programa&nbsp;<strong>REVIVE (Rede de Vigil\u00e2ncia de Vetores),<\/strong>&nbsp;coordenado pelo Instituto Nacional de Sa\u00fade Doutor Ricardo Jorge (INSA), desempenha um papel crucial neste esfor\u00e7o. Atrav\u00e9s da monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das popula\u00e7\u00f5es de mosquitos, da dete\u00e7\u00e3o precoce da presen\u00e7a de esp\u00e9cies invasoras e a da avalia\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as, o REVIVE permite uma resposta mais r\u00e1pida e informada. Este tipo de iniciativa, baseado em ci\u00eancia e dados concretos, \u00e9 essencial para garantir que as estrat\u00e9gias de controlo e preven\u00e7\u00e3o sejam eficazes e adaptadas \u00e0 realidade nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Funda\u00e7\u00e3o GIMM, estudamos a biologia dos mosquitos e os mecanismos que possibilitam a transmiss\u00e3o de v\u00edrus, com o objetivo de desenvolver estrat\u00e9gias inovadoras para o controlo de infe\u00e7\u00f5es virais transmitidas por estes insetos. A investiga\u00e7\u00e3o que realizamos foca-se em abordagens como a introdu\u00e7\u00e3o de uma bact\u00e9ria que impede a transmiss\u00e3o de v\u00edrus pelos mosquitos (a bact\u00e9ria\u00a0<em>Wolbachia<\/em>), o desenvolvimento de novas mol\u00e9culas antivirais que podem reduzir a propaga\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus e o estudo da resist\u00eancia dos mosquitos aos inseticidas, permitindo a cria\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos de controlo mais eficazes e sustent\u00e1veis. Estes avan\u00e7os cient\u00edficos s\u00e3o fundamentais para combater a crescente amea\u00e7a representada pelos mosquitos vetores em Portugal e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>A responsabilidade coletiva no controlo dos mosquitos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os esfor\u00e7os institucionais e cient\u00edficos s\u00e3o fundamentais, mas h\u00e1 uma componente essencial nesta equa\u00e7\u00e3o: a responsabilidade individual e coletiva. O&nbsp;<em>Aedes aegypti<\/em>&nbsp;e o&nbsp;<em>Aedes albopictus<\/em>&nbsp;reproduzem-se em pequenas quantidades de \u00e1gua parada, muitas vezes dentro de quintais e varandas. Cada um de n\u00f3s pode contribuir para a redu\u00e7\u00e3o da sua presen\u00e7a ao eliminar poss\u00edveis criadouros, como pratos de vasos de plantas, bebedouros de animais, reservat\u00f3rios de \u00e1gua mal vedados ou entulho acumulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, plataformas de ci\u00eancia cidad\u00e3, como o&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/mosquitoweb.ihmt.unl.pt\/\">MosquitoWeb<\/a><\/strong>&nbsp;e o&nbsp;<a style=\"font-weight: bold;\" href=\"https:\/\/www.mosquitoalert.com\/\">MosquitoAlert<\/a> permitem que qualquer pessoa contribua para a vigil\u00e2ncia da propaga\u00e7\u00e3o destes insetos, atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o e registo de mosquitos suspeitos. Com estas ferramentas, os cidad\u00e3os podem tirar fotos e envi\u00e1-las para especialistas que validam a presen\u00e7a de esp\u00e9cies invasoras, ajudando a mapear a sua distribui\u00e7\u00e3o em tempo real. Este tipo de participa\u00e7\u00e3o ativa refor\u00e7a a capacidade de resposta das autoridades de sa\u00fade e da comunidade cient\u00edfica, permitindo interven\u00e7\u00f5es mais r\u00e1pidas e direcionadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A sensibiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o para a ado\u00e7\u00e3o de medidas preventivas pode fazer uma diferen\u00e7a significativa. Se reduzirmos as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o destes mosquitos e contribuirmos para a sua dete\u00e7\u00e3o precoce, estamos a cortar o problema pela raiz. A preven\u00e7\u00e3o, neste caso e em tantos outros, \u00e9 mais eficaz e econ\u00f3mica do que a resposta a um surto viral.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O equil\u00edbrio entre prud\u00eancia e a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto investigador, n\u00e3o posso ignorar que h\u00e1 um equil\u00edbrio delicado entre informar a popula\u00e7\u00e3o e evitar p\u00e2nico desnecess\u00e1rio. A presen\u00e7a destes mosquitos em Portugal n\u00e3o significa, de imediato, surtos de doen\u00e7as, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos desvalorizar os sinais de alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de uma abordagem coordenada, baseada na melhor evid\u00eancia cient\u00edfica dispon\u00edvel, em que a sa\u00fade p\u00fablica, a investiga\u00e7\u00e3o e a sociedade trabalhem juntas para mitigar riscos antes que se tornem crises. A ci\u00eancia j\u00e1 nos mostrou que h\u00e1 formas inovadoras de controlar popula\u00e7\u00f5es de mosquitos sem impactos ambientais agressivos. Cabe-nos agora garantir que estas estrat\u00e9gias s\u00e3o adotadas e aplicadas com efic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Portugal tem agora uma oportunidade de agir antes que se depare com uma situa\u00e7\u00e3o mais complexa. Apostar na vigil\u00e2ncia, na investiga\u00e7\u00e3o e na informa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o os primeiros passos para garantir que estes vetores n\u00e3o se transformem numa amea\u00e7a maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mosquitos s\u00e3o pequenos, mas o desafio que representam \u00e9 grande. A boa not\u00edcia? Temos conhecimento, tecnologia e capacidade de resposta. Precisamos apenas de agir no momento certo. Esse momento \u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Gon\u00e7alo Seixas<\/p>\n\n\n\n<p>Investigador, Nuno Santos Lab<\/p>\n","protected":false},"featured_media":3331,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","news_category":[],"news_tag":[],"publications":[],"publication_date":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news\/3332"}],"collection":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"news_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_category?post=3332"},{"taxonomy":"news_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/news_tag?post=3332"},{"taxonomy":"publications","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publications?post=3332"},{"taxonomy":"publication_date","embeddable":true,"href":"https:\/\/gimm.pt\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/publication_date?post=3332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}