Fundação GIMM revela falhas nas células cardíacas usadas em laboratório e abre caminho a melhores tratamentos – GIMM Fundação GIMM revela falhas nas células cardíacas usadas em laboratório e abre caminho a melhores tratamentos – GIMM

  7 de Janeiro, 2026

Fundação GIMM revela falhas nas células cardíacas usadas em laboratório e abre caminho a melhores tratamentos

Science

Investigação liderada por Carmo-Fonseca explica por que estas células não replicam totalmente o coração humano e oferece uma nova forma de avaliar a sua qualidade. Avanço abre portas a investigação mais rigorosa e a tratamentos mais eficazes no futuro, especialmente na área da cardiologia de precisão.

Uma investigação liderada por Maria Carmo-Fonseca, da Fundação GIMM, ajudou a esclarecer uma das principais limitações das células do coração produzidas em laboratório, amplamente usadas em todo o Mundo para estudar doenças cardíacas e testar novos medicamentos. Apesar de permitirem investigar o funcionamento do coração humano sem recorrer a procedimentos invasivos ou modelos animais, estas células continuam a não reproduzir totalmente as características das células reais, o que pode comprometer a precisão de certos estudos.

“Estas células são extraordinariamente úteis, mas continuam a comportar-se como células muito imaturas”, explica a investigadora, continuando: “Queríamos perceber exatamente o que lhes falta para atingirem o mesmo grau de desenvolvimento das células de um coração humano”.

O estudo, publicado hoje na revista Stem Cell Reports, apresenta pela primeira vez um retrato detalhado de como o coração humano evolui desde as fases iniciais do desenvolvimento até à idade adulta. Ao analisar este percurso natural, os investigadores compararam, com um nível de detalhe nunca antes alcançado, o comportamento das células cardíacas humanas com o das células criadas em laboratório a partir de células estaminais.

A equipa descobriu que as células cardíacas produzidas em laboratório ficam presas num estágio imaturo e não completam vários passos fundamentais que ocorrem durante o desenvolvimento do coração humano real. Em particular, identificaram alterações em mecanismos essenciais ao funcionamento celular, responsáveis por ativar e coordenar corretamente as instruções dos genes.

“Encontrámos diferenças muito claras em processos que são fundamentais para que uma célula cardíaca funcione como tal”, afirma Maria Carmo-Fonseca. “Saber exatamente onde estão essas diferenças permite-nos começar a corrigi-las”.

Com base nestas descobertas, o grupo de investigação organizou um mapa de referência que descreve com grande detalhe como as células do coração humano mudam ao longo do desenvolvimento. Este mapa funciona como uma régua de comparação: permite aos cientistas avaliar se as células cardíacas produzidas em laboratório estão a desenvolver-se corretamente ou se ainda apresentam características demasiado imaturas.

Esta nova referência ajudará investigadores em todo o Mundo a melhorar os modelos usados no estudo de doenças do coração, tornando-os mais próximos da realidade e aumentando a fiabilidade dos testes realizados com estas células.

“No fundo, criámos um guia que mostra o que está certo e o que ainda falta às células cardíacas feitas em laboratório”, explica Maria Carmo-Fonseca. “Isto permite perceber se uma célula está realmente preparada para ser usada como modelo de doença. O objetivo final é que estes modelos sejam tão próximos quanto possível do coração humano, para que possamos desenvolver melhores terapias”.

O avanço abre portas a investigação mais rigorosa e a tratamentos mais eficazes no futuro, especialmente na área da cardiologia de precisão.

5 1 vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comments
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
0
Would love your thoughts, please comment.x