GIMM acolhe comunidade nacional de parasitologia – GIMM GIMM acolhe comunidade nacional de parasitologia – GIMM

  Març19 de o, 2026

GIMM acolhe comunidade nacional de parasitologia

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Após mais de uma década sem um encontro nacional dedicado à parasitologia, investigadores, clínicos, veterinários e estudantes de todo o país reuniram-se em Lisboa, no passado dia 5 de março, para o Parasitology in Portugal 2026, o primeiro encontro português de parasitologia desde 2014.

Organizado no Gulbenkian Institute for Molecular Medicine / Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, o encontro reuniu cerca de 170 investigadores em diferentes fases das suas carreiras científicas e clínicas, constituindo uma importante oportunidade para reforçar colaborações e dar visibilidade à investigação atualmente desenvolvida em Portugal numa área com forte tradição nacional.

Para Luísa Figueiredo, Group Leader do GIMM e membro da comissão organizadora, uma das questões mais centrais da parasitologia continua a ser fundamental: perceber porque é que os parasitas causam doença e porque é que o sistema imunitário frequentemente não consegue eliminá-los.

“Os parasitas evoluíram estratégias altamente sofisticadas para sobreviver no interior do hospedeiro”, explica. “Um dos grandes desafios é compreender os mecanismos moleculares e celulares que utilizam para se estabelecerem de forma eficaz e persistirem.”

Esse desafio ganhou novo impulso graças a importantes avanços tecnológicos. Segundo Luísa Figueiredo, a parasitologia ultrapassou há muito a ciência puramente descritiva e depende hoje fortemente de ferramentas funcionais poderosas, em particular de técnicas de manipulação genética como CRISPR, que permitem alterar sistematicamente genes dos parasitas e testar o seu papel no processo de infeção.

Atualmente, os cientistas conseguem realizar genetic screens em larga escala para identificar quais os genes dos parasitas essenciais para invadir tecidos, infetar células específicas ou resistir às defesas do hospedeiro. Estas abordagens são cada vez mais combinadas com tecnologias ómicas, incluindo análises single-cell e sequenciação de RNA, permitindo observar com grande detalhe a resposta do parasita e do hospedeiro durante a infeção.

Alguns investigadores centram-se no próprio parasita, identificando as moléculas que determinam a virulência. Outros investigam o lado do hospedeiro, procurando perceber que genes e vias biológicas são necessários para montar uma defesa eficaz.

“Um parasita é um organismo que entra num hospedeiro e causa dano”, sublinha Luísa. “Ao contrário de grande parte da nossa microbiota, que pode ser neutra ou até benéfica, os parasitas são sempre prejudiciais para o hospedeiro.”

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