As nossas células estão em constante movimento e divisão para formar tecidos e órgãos complexos, como os olhos e o cérebro. Nos últimos anos, ficou claro que a mecânica celular desempenha um papel crucial nesses processos, assim como sinais bioquímicos.
Um elemento-chave no movimento celular é o núcleo, o maior e um dos mais rígidos organelos, onde está o material genético. A rigidez nuclear impacta diretamente a movimentação dos núcleos, um fator essencial na formação de tecidos como a retina e certas áreas do cérebro. No desenvolvimento, os núcleos são mais flexíveis, movendo-se com facilidade pelos tecidos devido a baixos níveis de uma proteína chamada Lamin A, que confere rigidez aos núcleos. À medida que o desenvolvimento avança, o núcleo torna-se mais rígido para proteger o material genético.E o que acontece quando o núcleo endurece? Hoje, num estudo publicado na revista Current Biology, Mariana Maia-Gil, liderada por Caren Norden, investigadora principal no GIMM, explorou como núcleos mais rígidos chegam ao topo das células neuroepiteliais para a divisão.
“Este estudo mostra como a rigidez nuclear influencia o movimento nuclear e celular, ajudando a explicar como tecidos como os nossos olhos e outros se desenvolvem corretamente”, afirma Caren Norden sobre a importância do trabalho.
Os investigadores descobriram que o aumento de Lamin A nos núcleos, tornando-os mais rígidos, desacelera o seu movimento, especialmente em tecidos densamente preenchidos, enquanto um ambiente envolvente mais rígido também prejudica o movimento, mesmo para núcleos com rigidez normal. Ao compreender as mudanças na mecânica dos núcleos durante a formação dos tecidos, estes resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de estratégias que modulem a rigidez nuclear em estudos futuros sobre desenvolvimento, homeostasia e doenças, promovendo uma formação bem-sucedida e no tempo certo dos tecidos e que assegure a proteção do material genético.
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