É possível reverter o tempo? Suplementos e pistas do sistema imunitário na ciência do envelhecimento. – GIMM É possível reverter o tempo? Suplementos e pistas do sistema imunitário na ciência do envelhecimento. – GIMM

  9 de Setembro, 2025

É possível reverter o tempo? Suplementos e pistas do sistema imunitário na ciência do envelhecimento.

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No segundo dia do GIMM Fest, a manhã foi dedicada ao tema Transformar o Envelhecimento: Questões Futuras para Terapias de Longevidade, com três oradores e muitas ideias ainda não afloradas, como esta tão simples: “Se morar perto de um parque é biologicamente mais novo” sublinhada por Brian Kennedy, da National University of Singapore, o primeiro a subir ao palco.

Ouviu-se falar, pela primeira vez no GIMM Fest, do papel dos suplementos alimentares ao longo do processo de envelhecimento. Não sem antes resumir quais as grandes questões atuais da Biologia: atrasar o envelhecimento?, parar o envelhecimento?, reverter o envelhecimento?.

“Associa-se a toma de suplementos ao rejuvenescimento, mas na realidade há poucos resultados estatisticamente significativos”, diz Brian Kennedy, membro do Scientific Advisory Board do GIMM Fest. Antes, explicou um estudo feito para determinar a idade biológica dos participantes que tomavam suplementos alimentares, incluindo o Rejuvant, um produto desenvolvido e comercializado por uma empresa da qual Brian Kennedy é assessor científico e membro do conselho de administração. O composto apresenta potencial de prolongamento da vida, contendo alfa-cetoglutarato e vitaminas. Num estudo publicado em 2021 conclui-se que a toma deste suplemente pode representar uma redução de oito anos na idade biológica média.

Os homens respondem melhor ao suplemento e quanto mais velhos são, mais significativos são os resultados.

A investigação nesta área tem-se centrado na construção de “relógios” que preveem o declínio da idade. Contribuindo para este tema, o grupo de investigação de Brian Kennedy tem apostado no desenvolvimento de um relógio que prevê a mortalidade. “O nosso relógio prevê a mortalidade melhor do que qualquer um dos relógios de metilação [técnica baseada na metilação de DNA]”, que, na opinião de Kennedy, “não acrescentam muito ao passaporte na previsão da mortalidade”. O relógio desenvolvido por Brian Kennedy procura prever a idade, o declínio cognitivo e físico, num período de 200 meses – cerca de 16 anos. “Os fumadores são pessoas biologicamente mais velhas. Alguém que acorda repousado e com a sensação de ter tido um sono reparador é cerca de seis a nove meses mais jovem”, afirma Kennedy, com base nos dados recolhidos.

Por exemplo: Numa pessoa com 72 anos, este relógio previu que teria uma idade biológica de 88 anos, e que morreria daí a cinco. O componente principal da previsão é o metabolismo, neste caso concreto alavancado pelo peso do tabagismo. Este sistema já está a ser testado na vida real, em vários hospitais e clínicas de longevidade.

Tantas vezes esquecido, o sistema imunitário esteve no centro da apresentação de Maria Mittelbrunn, do Molecular Biology Center, Consejo Superior Investigaciones Cientificas, questionando como o próprio se deteriora e nos torna mais vulneráveis para doenças crónicas, cancro e infeções. Algumas evidências sugerem que essa deterioração do sistema imunológico pode afetar as células, os tecidos e contribuir para as alterações.

O que desencadeia a inflamação? Seguramente, fatores externos como a poluição e os patogéneos, mas também fatores internos como DAMPs (Padrões Moleculares Associados a Danos), o desequilíbrio na microbiota intestinal, senescência celular e a própria deterioração do sistema imunitário.

“Durante o envelhecimento, os linfócitos T têm um papel de destaque ao serem os que mais mudam durante todo o processo. A disfunção mitocondrial nestas células T induz a imunosenescência prematura”, explicou Maria Mittelbrunn.

Outra verdade incontornável foi dita por Ron DePinho, MD Anderson Cancer Center. “Ao envelhecimento e à mortalidade ninguém escapa.”. Os mecanismos do envelhecimento levam, inevitavelmente, à questão do impacto social e económico das doenças associadas à idade: “Nos EUA, se aumentassem a despesa em saúde por um ano, ao longo de uma geração, isso resultaria na poupança de 38 biliões de dólares.”

Com Ron DePinho registámos mais uma evidência. Sabe-se que o primeiro declínio acentuado na fisiologia e nos sintomas relacionados com o envelhecimento acontece por volta dos 50 anos. Do ponto de vista biológico, os 50 não são os novos quarenta.

Esta sessão terminou com uma declaração muito potente de Ron dePinho “A investigação fundamental é crucial para encontrarmos as respostas e para sabermos como os diferentes sistemas e organismos funcionam. Mas também é importante que não nos esqueçamos que artigos na Nature não curam pessoas. É preciso que as descobertas cheguem de facto às pessoas e que se transformem em soluções para os problemas de saúde”.

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