Repensar a velhice. Prevenção, experiência e a economia de vidas mais longas. – GIMM Repensar a velhice. Prevenção, experiência e a economia de vidas mais longas. – GIMM

  11 de Setembro, 2025

Repensar a velhice. Prevenção, experiência e a economia de vidas mais longas.

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Como se cruza a ciência biomédica com os aspetos sociais do envelhecimento foi o tema central da mesa-redonda da manhã do segundo dia do GIMM Festival.

Nas últimas duas décadas, a esperança de vida dos portugueses aumentou cinco anos. Hoje, 25% da população portuguesa tem 65 anos ou mais – mais de dois milhões, uma em cada quatro pessoas. Em 2050 representarão 33 por cento da população. Boas notícias, mas com conseqências económicas, em especial no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde.

Para Luísa Louro, analista de dados da Pordata, o seu atual foco de pesquisa aponta para as pessoas que têm agora 50 anos ou menos. O objetivo principal é projetar e quantificar o apoio familiar de que irão necessitar no futuro, sendo que as famílias são cada vez mais pequenas, diferentes das da geração dos pais e avós, com muitos irmãos, filhos, sobrinhos e um amplo apoio familiar. Da sua pesquisa resultarão elementos em que será possível determinar que tipo de poupanças deverão fazer a pensar na sua reforma e terceira e quarta idades. Ideias que vão ao encontro da opinião de Pedro Pita Barros, economista e professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, que explica como os mecanismos sociais precisam ser adaptados às necessidades e preferências das pessoas.

“O sistema social não vai conseguir dar apoio igual a todos e essa diferenciação, geralmente, é um problema. Pessoas diferentes, com necessidades diferentes, deveriam ser tratadas de forma diferente pelos sistemas”, sublinha. Na verdade, o problema não advém do envelhecimento nem da sua conotação negativa.
É preciso pensar sobre qual é o benefício de uma vida mais longeva e qual o valor que lhe é atribuído na estrutura económica. No debate, em que também participam Daniela Craveiro, do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, Sara Mas Assens, do Vall d’Hebron Institut de Recerca, em Barcelona, e Cláudia Faria, investigadora do GIMM, Lisbon School of Medicine e médica da Unidade Local de Saúde Santa Maria, todos concordam que os seniores têm de ser chamados a participar na discussão sobre o seu envelhecimento ativo, contribuindo com a apresentação das suas necessidades.

Quando se pergunta a pessoas de níveis socioeconómicos mais favorecidos do que precisam para se sentirem bem, a resposta pende para a realização pessoal, enquanto nas classes mais desfavorecidas a preocupação é conseguir apoiar e/ou sustentar filhos e netos. Com o conceito de velhice em transformação, foi unânime, entre os participantes na mesa-redonda, a necessidade de se aumentar a idade a partir da qual se considera a terceira-idade (em Portugal são os 65 anos desde 1989) para enquadrar a população idosa elegível a apoios sociais. Mais de um milhão de portugueses tem 75 anos ou mais e é nessas faixas etárias que as doenças se tornam mais críticas.

Outra definição que também devia ser alterada, na perspetiva clínica de Cláudia Faria, é o conceito de envelhecimento, pois na verdade não é considerado uma doença, mas sim o que a desencadeia. “É preciso colocar o dinheiro na prevenção.

Daqui a 10 ou a 15 anos terá de se investir mais na prevenção do que no tratamento”, sublinha. Envelhecer é sinónimo de se ter mais experiência e tal devia ser aproveitado para criar um plano de carreira para quando se entra na idade da reforma.
“[Os idosos] Podem ensinar os mais novos, passar-lhes conhecimento”, sugere a médica. “Nunca se está fora do mercado de trabalho. Tem-se uma nova função”, conclui Pedro Pita Barros.

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