Depois de dois dias de discussão científica, em torno do tema Envelhecimento e Longevidade, o GIMM Fest abriu-se ao público. “Quisemos ampliar a reflexão, abrindo as portas à sociedade”, disse a diretora-executiva do GIMM, Maria Mota.
Enquanto o auditório ia ficando composto, no exterior, crianças, jovens, pais e avós percorriam a exposição “Das células à sociedade – A história do envelhecimento”. Alguns painéis suscitaram mais conversas entre novos e velhos, sobretudo o que mostrava os animais com vidas mais longevas – o tubarão-da-Gronelândia vive 392 anos e a baleia-da-Gronelândia chega aos 211.
Dados sobre a demografia portuguesa, recolhidos pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, traçam um retrato da população nacional: mais de dois milhões de pessoas com 65 anos ou mais, mais de um milhão com 75 anos ou mais e cerca de três mil centenários.
As investigadoras do GIMM e professoras na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Joana Neves e Cláudia Faria, que também é neurocirugiã pediátrica do Hospital de Santa Maria, resumiram, para o público, as principais mensagens veiculadas durante os dois dias científicos, ao longo dos quais se tentou responder a duas questões: Porque envelhecemos? Quais serão as terapias mais promissoras e que ajudarão a prevenir o envelhecimento e, com isso, atrasar as doenças crónicas associadas à idade?
Auxiliadas pelos desenhos da ilustradora Cirenia Arias, feitos em tempo real durante as sessões científicas, discutiram-se as teorias que os cientistas têm construído ao longo do tempo para entender como é que as células envelhecem e fazem com que os órgãos comecem a perder a sua função.
Numa coisa, estiveram todos de acordo, sublinharam as duas cientistas: o envelhecimento é um fator de risco comum para muitas das doenças crónicas que afetam a sociedade. No futuro, idealmente, passaremos a ter uma medicina unificada que vai agir sobre o envelhecimento como uma forma de prevenir estas diferentes doenças de uma só vez.
Outro ponto debatido foram as mudanças que acontecem nas células à medida que envelhecemos. Com o tempo, estas perdem a capacidade de reparar o material genético e o corpo deixa de conseguir manter o equilíbrio: o sistema imunitário fica mais frágil, a inflamação instala-se de forma crónica e os órgãos já não conseguem recuperar como antes. As terapias com base na reprogramação celular estão a ganhar terreno desde que os cientistas puseram o foco numa ideia aparentemente simples: os bebés não nascem velhos.
A possibilidade de a ciência imitar o que se passa no organismo humano quando se tem um estilo de vida saudável, como a dieta, a prática de exercício físico e um sono de qualidade, também entra na lista das tentativas de retardar o envelhecimento.
“Os relógios moleculares têm sido a obsessão dos cientistas durante os últimos dez anos”, destaca Joana Neves. Usados para medir a idade biológica (do corpo), diferente da idade cronológica, os investigadores estão agora a construir coleções destas avaliações para melhor se perceber as manifestações do envelhecimento em cada indivíduo. Porque não há duas pessoas iguais, nem na saúde, nem na doença.
Em 2026, o Festival GIMM estará de regresso, de 17 a 19 de setembro, e vai revelar tudo sobre Micróbios. Uma coisa já sabemos, não são todos maus.











