Fundação GIMM procura soluções para grandes desafios do cancro da mama – GIMM Fundação GIMM procura soluções para grandes desafios do cancro da mama – GIMM

  14 de Fevereiro, 2025

Fundação GIMM procura soluções para grandes desafios do cancro da mama

Dois projetos do GIMM-CARE, premiados hoje pelo Programa Gilead GÉNESE, procuram desenvolver novas terapias para o cancro da mama e metástases cerebrais

A Fundação GIMM – Gulbenkian Institute for Molecular Medicine – no seu ramo especificamente dedicado à investigação translacional, o GIMM-CARE, tem como uma das suas missões encontrar soluções para o cancro da mama, uma doença que afeta uma em cada oito mulheres em Portugal.

Esta semana, no âmbito desta missão, dois projetos foram premiados pelo Programa Gilead GÉNESE, liderados pelas investigadoras Rita Cascão e Sandra Casimiro. O projeto de Rita Cascão foca-se em metástases cerebrais, associadas a pior prognóstico em doentes com cancro da mama. Já Sandra Casimiro desenvolve um projeto com foco no cancro da mama primário ou metastático, estudando uma nova abordagem terapêutica com foco num alvo promissor, que permita aumentar a eficácia do tratamento padrão.

A incidência de cancro da mama tem aumentado, tanto na população feminina em geral quanto em mulheres com menos de 50 anos. É imperativo aprofundar o conhecimento sobre a biologia desta doença, que é altamente heterogénea e complexa. Uma das vias de sinalização que tem sido apontada como um alvo terapêutico promissor, a via de sinalização do recetor RANK, tem sido estudada por vários cientistas no mundo, incluindo Sandra Casimiro, no Laboratório Translacional do GIMM-CARE liderado por Luís Costa. Apesar de se ter demonstrado que a inibição desta via reduz consistentemente a agressividade dos tumores e melhora a eficácia dos tratamentos atualmente utilizados na prática clínica, a abordagem terapêutica disponível até agora tem demonstrado eficácia limitada para o cancro da mama. Atualmente, é utilizado um anticorpo que impede a função do ligando do RANK, a molécula que se liga ao recetor e ativa a via de sinalização. Mas nas células tumorais a via de sinalização pode ser ativada de forma independente. É porque a terapia atual não dá resposta nestes casos que Sandra Casimiro propõe desenvolver um nanossistema com um conceito inovador, capaz de inibir o RANK e as moléculas que respondem à sua ativação de forma específica nas células tumorais.

“Esta abordagem oferece um potencial clínico significativo, ao interromper eficazmente a atividade da via, reduzindo a agressividade tumoral, superando a resistência aos tratamentos e limitando a evasão imunitária em diferentes subtipos de cancro da mama. A aplicação clínica deste nanossistema, tanto em combinação com terapias existentes quanto como monoterapia, poderá beneficiar mulheres em vários estadios da doença, oferecendo uma nova esperança no combate a este desafio de saúde global”, explica Sandra Casimiro.

Sobre o que a motiva a estudar o cancro da mama, Sandra Casimiro partilha:

“É impossível ficar indiferente ao aumento significativo da incidência de cancro da mama nas mulheres e ao impacto devastador desta doença a nível global. Como mulher e mãe de uma filha, além de irmã e tia de outras mulheres, sinto-me naturalmente inquieta com esta realidade. Como cientista, encaro o trabalho nesta área como um desafio imenso, mas também como uma oportunidade. O cancro da mama é uma doença extremamente heterogénea e ainda existem inúmeras questões por responder no que diz respeito à sua génese e biologia. É preciso melhorar muito a deteção precoce e o tratamento dos tumores localizados”. Acrescenta ainda que “por outro lado, sabemos que é a disseminação da doença, a metastização, que está na base da mortalidade por cancro da mama. Neste contexto, é essencial melhorar a identificação precoce das metástases e desenvolver tratamentos mais eficazes que possam transformar o cancro da mama numa doença crónica e manejável.

A investigação científica é indispensável em todas as etapas da doença”. É neste ponto da metastização, em particular a metastização no cérebro, que incide o segundo projeto premiado nesta edição do Programa Gilead GÉNESE, desenvolvido pela investigadora Rita Cascão, no Laboratório Translacional liderado por Cláudia Faria.

De facto, a disseminação do cancro no cérebro é uma das principais causas de morte em doentes com cancro da mama, principalmente porque o tratamento das metástases cerebrais tem uma eficácia limitada. Por isso, é importante compreender os mecanismos envolvidos na disseminação cerebral com o objetivo de identificar novos alvos terapêuticos. O grupo de investigação de Cláudia Faria, onde Rita Cascão irá desenvolver este projeto, identificou recentemente uma proteína que promove a disseminação das células cancerígenas para o cérebro. Agora, neste projeto, vão explorar a hipótese de que esta proteína torna as células cancerígenas melhor adaptadas a proliferar neste orgão em particular.

Para responder a esta questão, Rita Cascão propõe identificar o metabolismo celular de metástases cerebrais de doentes com cancro da mama e avaliar de que forma esta proteína interage com estas vias metabólicas. Este projeto tem em vista que os novos alvos descobertos possam ser úteis no desenvolvimento de novas terapêuticas para o tratamento das metástases cerebrais do cancro da mama.

Para Rita Cascão, que ao longo de toda a sua carreira como investigadora, sempre se interessou pela investigação aplicada a perguntas clínicas, que surgem no doente e cuja resposta pode contribuir para melhorar o seu acompanhamento clínico e tratamento,

“é fantástico participar nestes projetos que podem ter um impacto tão significativo no tratamento de doenças que são difíceis de tratar, como é o caso das metástases cerebrais decorrentes da disseminação do cancro da mama”.

Este é mais um ponto em comum dos dois projetos premiados nesta edição do Programa Gilead GÉNESE, que são desenvolvidos em comunhão com a prática clínica, beneficiando da colaboração com clínicos e hospitais. Tanto Sandra Casimiro como Rita Cascão referem a importância de reunir cientistas e médicos para desenvolver estes projetos translacionais, que são uma assinatura do ramo GIMM-CARE da Fundação GIMM.

Juntos, cientistas e clínicos comprometem-se a procurar soluções para problemas clínicos emergentes.

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