Bruno Silva-Santos, Luísa Figueiredo em colaboração com Cláudio Franco, e Marc Veldhoen em colaboração com Sílvia Almeida, foram premiados no Concurso CaixaResearch Saúde 2024 para avançar a investigação nas áreas de modulação do sistema imunitário em resposta a doenças infecciosas e inflamatórias e interações entre hospedeiro e patógenos.
Nesta edição do concurso, que é o mais importante concurso filantrópico para a investigação biomédica em Portugal e Espanha, foram selecionados nove projetos inovadores liderados por instituições de investigação em Portugal, como a Fundação Champalimaud, o i3S, o ITQB NOVA, o ICVS e a Universidade de Aveiro. Este financiamento sublinha o compromisso da Fundação “la Caixa” em apoiar projetos de excelência que prometem beneficiar significativamente a saúde pública.
Leia abaixo para descobrir mais sobre os projetos que este financiamento permitirá desenvolver na Fundação GIMM.
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- Novos reguladores da diferenciação e ativação de subgrupos de células T gama-delta em infeções
Bruno Silva-Santos
As doenças infecciosas como a malária ou a tuberculose continuam a ser um grande problema a nível mundial, pois as vacinas disponíveis não conseguem prevenir completamente a infecção nem erradicar a doença. Para que existam novos avanços nesta área, é essencial compreender melhor o sistema imunitário e a organização de respostas protetoras contra estes microrganismos. Bruno Silva-Santos trabalha há vários anos num tipo específico de células do sistema imunitário, as células T gama-delta, que proliferam muito em resposta a malária ou tuberculose. Apesar de estarem associadas a estas doenças, atualmente não existem formas de manipular a sua resposta para benefício do hospedeiro.
Neste projeto, agora financiado pela Fundação “la Caixa”, os investigadores vão identificar moléculas nas células T gama-delta que possam servir como novos alvos terapêuticos. O foco do trabalho será nas moléculas envolvidas em processos cruciais nestas células, como a sua ativação e diferenciação, estudando, por exemplo, os mecanismos que permitem às células T gama-delta responderem a infecções através da produção de hormonas imunes especiais, as citocinas. Com o desenvolvimento deste projeto, os investigadores esperam descobrir novas estratégias moleculares para mobilizar o tipo desejado de resposta das células T gama-delta em diferentes patologias, o que pode abrir novas e mais eficazes estratégias para o controlo destas infeções complexas.
“Este projeto permitirá investigar um subgrupo de células imunes pouco compreendido, as células T gama-delta, no contexto das doenças infecciosas, com o objetivo de potenciar os seus papéis protetores e reduzir efeitos inflamatórios potencialmente prejudiciais. Para o meu grupo, que se dedica principalmente à imunoterapia contra o cancro, este financiamento vai permitir direcionar parte da equipa para as doenças infecciosas, ampliando assim o impacto global da nossa investigação”, diz Bruno Silva-Santos.
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- Decifrar as Interações dos Tripanossomas com a Vasculatura do Hospedeiro
Luísa Figueiredo e Cláudio Franco, CBR
Certos parasitas, células do sistema imunitário ou células tumorais, viajam pela circulação e atravessam os vasos sanguíneos para invadir órgãos. O parasita Trypanosoma brucei, responsável por doenças fatais em África, atravessa os vasos sanguíneos e invade diversos órgãos, como o tecido adiposo e o cérebro. Esta capacidade permite que o parasita se esconda dentro dos órgãos, dificultando o diagnóstico e agravando as consequências da doença. Neste projeto, os investigadores têm como objetivo identificar genes do parasita que facilitam a travessia dos vasos sanguíneos, compreender as alterações nos vasos durante a infeção e esclarecer em detalhe o processo de travessia vascular do parasita.
Em colaboração com o laboratório especializado em biologia vascular liderado por Cláudio Franco, no Católica Biomedical Research Centre, Portugal, a equipa vai explorar como os parasitas tiram partido dos vasos sanguíneos. Este conhecimento poderá abrir novas estratégias de tratamento para doenças causadas pelo parasita Trypanosoma, bem como para outras patologias que possam utilizar mecanismos semelhantes, como a formação de metástases no cancro e a inflamação.
“Este financiamento apoia um projeto verdadeiramente interdisciplinar, que junta as áreas de parasitologia e biologia vascular. Compreender o papel da vasculatura na tripanossomíase permitirá entender melhor como esta doença pode ser crónica por vários anos e escapar aos testes diagnósticos convencionais”, afirma Luísa Figueiredo.
“O reconhecimento da Fundação “la Caixa” vai apoiar a sinergia produtiva entre os laboratórios liderados por mim e pela Luísa Figueiredo, na interface entre a parasitologia e a biologia vascular. Este financiamento generoso vai ajudar a descobrir novos mecanismos de travessia dos vasos sanguíneos, o que poderá contribuir para o tratamento da tripanossomíase e das metástases no cancro”, acrescenta Cláudio Franco, colaborador neste projeto.
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- Uma nova estratégia para modular a ação dos linfócitos T e prevenir respostas imunes hiper-reativas
Marc Veldhoen e Sílvia Almeida, Co-Lab AccelBio
As doenças infeciosas e inflamatórias, cuja prevalência está a aumentar a nível global, são uma das principais causas de mortalidade em todo o mundo. Muitas destas patologias estão relacionadas com a atividade dos linfócitos T, um tipo de glóbulo branco responsável por coordenar a resposta imune contra agentes patogénicos. Por vezes, estas células defensivas reagem de forma exagerada, o que pode levar ao desenvolvimento de condições graves, como a fibrose, a doença pulmonar obstrutiva crónica ou a asma.
Para evitar estas complicações usam-se frequentemente fármacos imunossupressores de amplo espectro, que atuam de forma generalizada, mas têm efeitos secundários significativos e aumentam o risco de infeções. Assim, é necessário desenvolver novas opções terapêuticas que inibam seletivamente a atividade dos linfócitos T.
A equipa de Marc Veldhoen já descobriu um fator essencial para a ativação destas células de defesa. No projeto agora financiado pela Fundação “la Caixa”, em colaboração com Silvia Almeida, do Co-Lab AccelBio, especialista em descoberta de fármacos, os investigadores vão explorar este fator como um novo alvo terapêutico para identificar fármacos capazes de modular a resposta dos linfócitos T sem afetar o restante funcionamento protetor do sistema imunitário. Este projeto poderá fornecer ferramentas para evitar os efeitos secundários comuns no tratamento de doenças infeciosas e inflamatórias.
“Estou muito grato por ter recebido mais uma bolsa de prestígio da “la Caixa” Health Research para a nossa proposta, que reflete o apoio essencial da Fundação “la Caixa” e o seu compromisso com a investigação pioneira e inovadora. Esta bolsa permitirá avançar num projeto muito promissor sobre o controlo de respostas inadequadas das células T em doenças inflamatórias imuno-mediadas”, afirma Marc Veldhoen.
