Morabeza, ciência e novos começos: programa co-criado pelo GIMM conclui primeira etapa de formação em Cabo Verde – GIMM Morabeza, ciência e novos começos: programa co-criado pelo GIMM conclui primeira etapa de formação em Cabo Verde – GIMM
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  30 de Outubro, 2026

Morabeza, ciência e novos começos: programa co-criado pelo GIMM conclui primeira etapa de formação em Cabo Verde

Quem já esteve em Cabo Verde conhece a sensação de morabeza. Mais do que hospitalidade, a palavra traduz uma forma calorosa e generosa de receber os outros, de os fazer sentir em casa e de criar laços. É este espírito de abertura e partilha que também marcou a primeira edição do Curso de Especialização em Investigação Científica em Biomedicina, que acaba de concluir a sua componente formativa na Universidade de Cabo Verde.

O curso integra o Programa de Aceleração Científica (PAC) para os Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) co-criado pelo GIMM e pela Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a Universidade de Cabo Verde. O objetivo é aproximar as comunidades científicas destes países, promovendo a colaboração, a partilha de conhecimento e o crescimento conjunto.

Com início em fevereiro, o programa reuniu 20 jovens licenciados de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, que participaram em seis meses de formação intensiva nas áreas fundamentais e especializadas das ciências da saúde e da vida. O plano curricular incluiu biologia, química, física, matemática, bioinformática, saúde pública e doenças infeciosas, além de aulas de inglês. Mais de 40 docentes da Universidade de Cabo Verde, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e do GIMM, bem como especialistas de outras áreas científicas, contribuíram para o curso.

Para além dos conhecimentos científicos, a formação procurou desenvolver competências laboratoriais, computacionais e transversais, incentivando também o pensamento crítico, a autonomia e a capacidade de transformar questões relevantes em projetos de investigação.

“Esta primeira edição confirmou que existe um enorme talento que pode crescer ainda mais através da colaboração, da partilha de conhecimento e da criação conjunta de oportunidades. Estamos a reforçar as ligações entre comunidades científicas, unidas pela língua, pela curiosidade e pela vontade de contribuir para a ciência e para a saúde e o bem-estar globais”, sublinha Luís Valente, responsável pela área de Educação e Formação do GIMM.

A experiência de aprendizagem foi também muito além da sala de aula e do laboratório. Ao longo dos seis meses, os estudantes participaram nas Morabezas Científicas, um ciclo de webinars que reuniu vozes de diferentes áreas, como o ambiente, a literatura, o jornalismo, os direitos humanos e a cidadania. A etapa final do curso, realizada na cidade da Praia, incluiu uma edição especial das Morabezas Científicas, com a participação do escritor e biólogo moçambicano Mia Couto. Sob o tema «O que sabemos e o que ainda precisamos de imaginar», a sessão explorou as ligações entre ciência, conhecimento e imaginação. Concluída esta primeira etapa, os 20 participantes preparam-se agora para passar da sala de aula ao laboratório, através de estágios de seis meses em instituições de investigação de referência em Portugal, onde irão integrar equipas científicas e adquirir experiência prática. A partir de fevereiro de 2027, vários participantes irão juntar-se ao GIMM, passando a fazer parte da sua comunidade de investigação. Sempre com espírito de morabeza.

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