A imunidade evoluiu nos organismos multicelulares para limitar o potencial impacto negativo resultante da exposição contínua a micróbios. Os componentes inatos e adaptativos do sistema imunitário são dotados da capacidade de detetar e de visar os microrganismos patogénicos para os conter, destruir ou expulsar, como forma de preservar a homeostasia e a aptidão do organismo. A resistência à infeção refere-se ao resultado destas funções imunitárias.
Os organismos multicelulares também desenvolveram outra estratégia de defesa que preserva a homeostase e a aptidão do organismo sem exercer um impacto negativo direto sobre os microrganismos. Esta estratégia de defesa, designada por tolerância à doença, baseia-se em respostas evolutivamente conservadas ao stress e aos danos que limitam a extensão da disfunção metabólica e dos danos impostos aos tecidos do parênquima, quer diretamente por microrganismos patogénicos, quer indiretamente por mecanismos de resistência imunitários.
O objetivo geral do Laboratório de Inflamação é identificar e caraterizar estas respostas ao stress e aos danos que conferem o controlo dos danos nos tecidos e estabelecem a tolerância à infeção.
A hipótese central testada é que existe uma interação funcional entre os mecanismos de resistência imunitária e as respostas ao stress e aos danos que actuam nos tecidos do parênquima, para limitar, contrariar e reparar os efeitos patogénicos da infeção.
A compreensão dos mecanismos celulares e moleculares que regem esta rede de interacções e respostas deverá ser transformadora na nossa compreensão das interacções hospedeiro-micróbio, com impacto direto no tratamento de doenças infecciosas.
Contribuições científicas originais:
O nosso atual corpo de trabalho foi desencadeado, em grande medida, pela demonstração original, com o falecido Fritz H. Bach na Harvard Medical School, de que o monóxido de carbono (CO), um gasotransmissor, actua de forma citoprotectora (J. Exp. Med., 2001) e imunoreguladora (Nature Medicine, 2000), fornecendo uma base mecanicista para a forma como os órgãos transplantados evitam a sua própria rejeição (Nature Medicine, 1998).