Cancro da Mama Triplo Negativo: estado atual e perspetivas futuras. – GIMM Cancro da Mama Triplo Negativo: estado atual e perspetivas futuras. – GIMM
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  30 de Outubro, 2026

Cancro da Mama Triplo Negativo: estado atual e perspetivas futuras.

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Cerca de 15% dos casos de cancro da mama são do tipo triplo negativo (TNBC, na sigla em inglês). Esta classificação aplica-se aos tumores que não apresentam expressão dos recetores hormonais de estrogénio e progesterona nem da proteína HER2. Atualmente, as taxas de sobrevivência e o prognóstico clínico das pessoas com este tipo de cancro são piores do que os de pessoas com outros tipos de cancro da mama, uma vez que a maioria das opções terapêuticas se baseia em tratamentos dirigidos contra o HER2 ou os recetores de estrogénio e progesterona.

No dia 23 de outubro, o GIMM reuniu investigadores de ciência básica, médicos e representantes da indústria farmacêutica para debater os mais recentes avanços na investigação sobre o TNBC, num workshop organizado por Marco Calvinho Cavaco, do laboratório de Miguel Castanho.

O evento, intitulado «Triple-Negative Breast Cancer Workshop | What Is New | What Comes Next», decorreu em formato híbrido, presencialmente no Campus do GIMM, em Oeiras, e online, integrado no programa Outubro Rosa. Cerca de 75 pessoas participaram presencialmente, em Oeiras, e outras 90 acompanharam o evento online. No total, estiveram representadas mais de 50 instituições e hospitais, com participantes de mais de 20 países.

Uma das principais mensagens do encontro foi a de que o futuro do tratamento do cancro da mama passa pela medicina de precisão e inclui conjugados anticorpo-fármaco (ADCs), radioterapia de nova geração e imunoterapias. «O TNBC é o tipo de cancro da mama mais imunogénico», afirmou Guadalupe Cabral, da NOVA Medical School. Esta característica torna-o um alvo particularmente promissor para a imunoterapia. Na sua apresentação, a investigadora e professora explorou a utilização de neutrófilos, um tipo de glóbulo branco, e de anticorpos como novos agentes terapêuticos. Sofia Mensurado, do laboratório de Ribot e Silva-Santos, e Teresa Abreu, do iMed.ULisboa, abordaram também a utilização de células T γδ e de células CAR-T baseadas em nanocorpos contra o TNBC, respetivamente.

Aproveitando a elevada imunogenicidade do TNBC, os ADCs utilizam anticorpos para transportar fármacos anticancerígenos diretamente até às células tumorais, limitando os danos nos tecidos circundantes. De forma semelhante, a terapia com radioligandos (RLT) e a teranóstica são abordagens emergentes que recorrem a biomarcadores específicos de cada doente para direcionar isótopos radioativos para as células tumorais, preservando as células saudáveis vizinhas. Estas abordagens estão atualmente a ser exploradas tanto para o tratamento como para o diagnóstico de elevada sensibilidade. Nenhuma destas três abordagens se limita ao TNBC, podendo todas contribuir para melhorar a qualidade de vida de muitos doentes oncológicos, explicaram os representantes da indústria Ana Luis, da Daiichi/AstraZeneca, e Diogo Medina, da Novartis.

Foi também debatida a utilização de modelos experimentais, como avatares de peixe-zebra que reproduzem o tumor de cada doente, modelos de órgãos-em-chip e modelos in vivo de embriões de galinha.

Ou seja, embora o TNBC continue a ser difícil de tratar, os avanços apresentados no workshop deixaram uma perspetiva otimista quanto ao futuro dos doentes e das suas famílias. A maioria das abordagens discutidas poderá também ser aplicada a outros tipos de cancro, lançando as bases para uma nova era no tratamento oncológico.

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