O metabolismo como ponte entre diferentes áreas da Biologia no primeiro Metabolism Day – GIMM O metabolismo como ponte entre diferentes áreas da Biologia no primeiro Metabolism Day – GIMM

  25 de Maio, 2026

O metabolismo como ponte entre diferentes áreas da Biologia no primeiro Metabolism Day

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Quando hoje se fala de metabolismo, já não estamos a considerar apenas a forma como as células produzem energia. Cada vez mais, o metabolismo é entendido como um regulador central da forma como as células comunicam, se adaptam e funcionam – na imunidade, fertilidade, cancro, microbioma e até nas interações entre cérebro e corpo. Esta visão mais ampla esteve no centro do primeiro Metabolism Day organizado no GIMM, a 7 de maio, pela líder do grupo Fisiologia Metabólica do Organismo, Zita Carvalho-Santos, e colegas, reunindo investigadores de diferentes grupos do instituto que trabalham questões relacionadas com o metabolismo, sob diferentes perspetivas científicas.

A ideia surgiu pouco depois de Zita Carvalho-Santos ter chegado ao então iMM. Embora muitos investigadores não se identificassem explicitamente como cientistas do metabolismo, a investigadora apercebeu-se de que inúmeros projetos tinham fortes componentes metabólicas. “Havia vários grupos a estudar coisas muito diferentes, mas vários a tocar no metabolismo de alguma forma”, explica. “Achámos que seria interessante criar um clube de metabolismo.”

Após um período de reuniões regulares por Zoom envolvendo grupos do GIMM e de outros institutos da área de Lisboa, surgiu a decisão de reunir a comunidade presencialmente – desta vez apenas a nível interno. A adesão superou as expectativas. Cerca de 75 investigadores inscreveram-se na primeira edição, representando áreas que vão da imunologia à investigação em microbioma e biologia reprodutiva. “Acabou por ser um sucesso ainda maior do que aquilo que esperávamos inicialmente”, admite Zita.

Em vez de centrar o evento nos investigadores séniores, a organização optou deliberadamente por dar palco aos cientistas mais jovens. A maioria das apresentações foi feita por estudantes de doutoramento, pós-docs e alguns estudantes de mestrado. As talks curtas, de sete minutos, foram seguidas de sessões de discussão, complementadas por uma sessão de posters.

“A ideia era mesmo dar palco aos investigadores mais jovens”, explica. “E fizeram um trabalho incrível!”

Mais do que criar um novo fórum científico, o evento reflete também uma mudança mais profunda na própria biologia. Durante décadas, o metabolismo foi frequentemente visto como uma espécie de housekeeping celular – essencial, mas relativamente genérico entre tecidos e organismos. Essa perspetiva mudou muito nas últimas décadas. Durante décadas, o metabolismo foi frequentemente visto como uma espécie de housekeeping celular – essencial, mas relativamente genérico entre tecidos e organismos. Essa perspetiva mudou muito nas últimas décadas.

“Hoje percebemos que o metabolismo é muito mais específico do que inicialmente pensávamos”, diz Zita. “Diferentes tipos celulares têm programas metabólicos distintos. O metabolismo está também envolvido em signaling, na comunicação entre células e na forma como os tecidos respondem ao ambiente.”

Este novo entendimento liga o metabolismo a alguns dos conceitos mais emergentes da biologia moderna, incluindo microambientes, systems biology e o diálogo complexo entre órgãos e tecidos. “Hoje sabemos que nenhum sistema funciona sozinho”, sublinha. “O cérebro interage com o sistema imunitário, o metabolismo interage com a inflamação, os tecidos comunicam constantemente. A biologia está a tornar-se muito mais integrada.” Após o sucesso da primeira edição, a organização espera agora transformar o Metabolism Day num evento anual, expandindo futuras edições para um formato híbrido com investigadores de toda a região de Lisboa e convidados internacionais.

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