No passado dia 30 de junho, investigadores, profissionais de saúde e representantes de associações de doentes reuniram-se em Lisboa para o GIMM CARE Research Symposium, uma tarde dedicada à apresentação de investigação clínica e translacional que está a contribuir para melhorar os cuidados de saúde e os resultados para os doentes.
O simpósio destacou o trabalho dos quatro Laboratórios Translacionais do GIMM CARE, cada um dedicado a responder a importantes desafios na área da saúde através de uma estreita colaboração entre investigadores e clínicos, com o apoio do GIMM CARE Biobank.
O Oncology Translational Lab, liderado por Luís Costa, apresentou investigação que abrange todo o percurso translacional, desde a descoberta de biomarcadores e a deteção precoce do cancro até à compreensão dos mecanismos de resistência aos tratamentos e ao desenvolvimento de novos ensaios clínicos. O trabalho deste laboratório demonstra como a integração entre investigação e prática clínica pode acelerar o desenvolvimento da oncologia de precisão.
No ADBCancer Translational Lab, liderado por Karine Serre e Sérgio Dias, foi apresentada uma abordagem integrada para compreender a progressão e a metastização do cancro da mama. Combinando coortes longitudinais de doentes com tecnologias avançadas, como metabolómica, imagiologia espacial e análise do microbioma, a equipa está a identificar biomarcadores capazes de prever a resposta terapêutica, a progressão da doença e o risco de metastização.
O Microbiome in Health & Disease Translational Lab, liderado por Ana Almeida, mostrou de que forma o microbioma intestinal pode contribuir para a prevenção e deteção precoce do cancro colorretal. Através da integração de coortes clínicas, caracterização aprofundada do microbioma, algoritmos de aprendizagem automática (machine learning) e dados de estilo de vida, o laboratório está a desenvolver biomarcadores não invasivos e ferramentas personalizadas de avaliação de risco para melhorar o rastreio do cancro e promover estratégias de prevenção de precisão.
Por sua vez, o BrainCDT Translational Lab, liderado por Cláudia Faria, apresentou o seu trabalho para compreender melhor e combater a metastização cerebral, com foco na descoberta de biomarcadores para uma deteção mais precoce e na identificação de novos alvos terapêuticos capazes de prevenir a progressão metastática.
Um dos momentos altos do simpósio foi a primeira edição das International CARE Science Rounds, que reuniu uma clínica e um investigador para explorar perspetivas complementares sobre medicina de precisão. Inês Pires da Silva apresentou a forma como modelos clínicos e multi-ómicos estão a ser utilizados para prever a resposta à imunoterapia e o risco de recorrência no melanoma, enquanto Roger Colobran demonstrou como as tecnologias genómicas avançadas estão a revelar as causas moleculares de doenças imunitárias raras e a melhorar a precisão do diagnóstico.
Para além das sessões científicas, o simpósio contou ainda com uma exposição de posters dedicada às infraestruturas de investigação, iniciativas estratégicas e projetos colaborativos do CARE, criando oportunidades para o networking e para o desenvolvimento de novas colaborações entre investigadores, clínicos e representantes de associações de doentes.
O GIMM CARE Research Symposium reforçou o compromisso do GIMM CARE em aproximar a descoberta científica da prática clínica, acelerando a investigação translacional para gerar benefícios concretos para os doentes e para a sociedade.