A Plataforma de Citometria de Fluxo do GIMM reforçou as suas capacidades com a instalação de um novo separador celular espectral (spectral cell sorter), um equipamento de última geração que permite aos investigadores não só analisar células e partículas com um nível de detalhe sem precedentes, mas também isolar populações específicas para aplicações posteriores, como metabolómica, proteómica, microscopia eletrónica e análises moleculares avançadas.
A separação celular é uma tecnologia poderosa que permite identificar e separar células com base em características como o tamanho, a complexidade e a fluorescência relativas. Amplamente utilizada em áreas que vão da imunologia e biologia molecular à parasitologia e virologia, é uma ferramenta essencial para a obtenção de populações celulares puras para investigação.
“Este novo equipamento representa um salto tecnológico significativo”, sublinha Mariana Fernandes, responsável pela Plataforma de Citometria de Fluxo do GIMM. Ao contrário dos instrumentos convencionais, utiliza citometria de fluxo espectral, permitindo actualmente analisar até 50 parâmetros em simultâneo ao nível de cada célula individual. Esta tecnologia possibilita ainda utilizar a autofluorescência celular como um parâmetro independente, melhorando a deteção de populações celulares raras ou com sinais fluorescentes fracos, que anteriormente eram mais difíceis de estudar.
Além disso, o equipamento combina análise espectral com capacidades de imagem, permitindo separar células não apenas de acordo com assinaturas de fluorescência, mas também com base em características visuais. Esta funcionalidade oferece aos investigadores uma visão mais completa de cada célula e permite estratégias de seleção mais precisas, particularmente em experiências em que a morfologia celular desempenha um papel determinante.
O sistema está instalado numa câmara de biossegurança, garantindo uma utilização segura no manuseamento de amostras humanas ou infeciosas. Atualmente, é um dos poucos equipamentos em Portugal com esta combinação de capacidades e em Lisboa apenas existente no GIMM, tornando-se um recurso valioso não apenas para os investigadores do GIMM, mas também para utilizadores externos provenientes de instituições académicas e empresas de todo o país. O processo de aquisição e instalação decorreu ao longo de vários meses e envolveu o esforço coordenado de múltiplas equipas, desde compras e infraestruturas até logística e pessoal científico. Após cerca de um mês de preparação do espaço e adaptações técnicas, o equipamento foi instalado e colocado em funcionamento em poucos dias, abrindo caminho para uma nova geração de análise e separação celular de alta resolução no GIMM.