A microscopia eletrónica oferece aos cientistas uma janela única para a ultraestrutura das células e dos tecidos, revelando detalhes que não são visíveis através da microscopia convencional. Ao permitir visualizar estruturas biológicas com uma resolução muito elevada, esta técnica possibilita, por exemplo, comparar amostras de tipo selvagem (ou naturais) com amostras nas quais foi experimentalmente induzida uma determinada condição ou alteração, ajudando os investigadores a perceber de que forma as mudanças ao nível celular estão relacionadas com os processos biológicos.
Na plataforma de microscopia eletrónica do GIMM, esta capacidade está agora a ser significativamente ampliada com a chegada de novos equipamentos. Um novo microscópio eletrónico de varrimento permitirá estudar a topografia e a composição elementar das amostras, bem como realizar análises volumétricas. Isto significa que os investigadores poderão obter não apenas informação sobre a estrutura das amostras, mas também sobre a distribuição de elementos específicos nos tecidos – como, por exemplo, a acumulação de ferro no rim.
Haverá também melhorias na forma como as amostras são preparadas e analisadas. Um robô de processamento permitirá automatizar e acelerar a preparação das amostras, enquanto uma estação dedicada à análise de imagem permitirá aos utilizadores ir além da simples aquisição de imagens de elevada qualidade, disponibilizando ferramentas para processar e analisar essas imagens de forma mais eficaz.
Algumas das novas tecnologias são particularmente inovadoras. «O robô de processamento é o primeiro do género a ser instalado na Europa, tornando o GIMM num local de demonstração onde outras plataformas de toda a Europa podem vir testar esta tecnologia», explica Ana Laura Vinagre, responsável pela plataforma. O novo microscópio eletrónico de varrimento está também equipado com um detetor SENSE, atualmente o único do género na Península Ibérica. Este equipamento permitirá à plataforma realizar microscopia eletrónica volumétrica, uma poderosa abordagem de imagiologia tridimensional — considerada pela revista Nature a «técnica do ano» — que permite aos investigadores explorar a organização das estruturas biológicas com um nível de detalhe sem precedentes.
A plataforma serve uma comunidade diversificada de utilizadores. Cerca de metade são utilizadores internos do GIMM, enquanto a outra metade é externa, incluindo grupos de investigação que procuram aceder às capacidades especializadas do instituto na área da microscopia eletrónica. A plataforma trabalha também com utilizadores de fora da academia, incluindo a indústria farmacêutica e o setor da saúde, com hospitais a recorrerem aos seus serviços para fins de diagnóstico. Em conjunto, estas novas tecnologias ampliam significativamente as possibilidades da microscopia eletrónica no GIMM, dando aos investigadores acesso a novas formas de visualizar, mapear e analisar amostras biológicas e aproximando-os da compreensão do que acontece no interior das células e dos tecidos em três dimensões.